Nada melhor do que se exercitar ao “ar livre”!

Nilo Resende 11 de agosto de 2017 0

Que as caminhadas longas podem melhorar o humor e reduzir a ansiedade todos já sabem. Porém, de acordo com um novo estudo realizado por pesquisadores na Áustria, os benefícios da caminhada podem ser ainda maiores, se elas  acontecerem ao ar livre, ao invés de um ambiente fechado como uma academia.

 

Para se exercitar, nada melhor do que fazer as atividades outdoor, confirma pesquisa.

Para se exercitar, nada melhor do que fazer as atividades outdoor, confirma pesquisa.

Que os Alpes são um lugar particularmente agradável para caminhar não é novidade. Entretanto, trazendo para o nosso mundo, uma caminhada vigorosa nos bosques ou por caminhos próximos de casa, pode proporcionar o impulso mental que precisamos para nos manter em movimento.

Para manter uma saúde ideal precisamos nos mover. Os resultados das pesquisas e a experiência cotidiana indicam que as pessoas raramente se exercitarão, se não apreciarem a atividade. Para muitos, os exercícios podem ser comparados a um bem material que, se não promover alegria ou prazer, tendem a ser desprezados.

Muitos aspectos inerentes à prática do exercício podem influenciar a nossa satisfação durante a atividade. Mas, em geral, a maioria dos especialistas concordam que a intensidade e a duração do treino são os fatores que mais influenciam o praticante.

Nos últimos anos, os pesquisadores tem concentrado seus esforços na duração dos exercícios, especialmente os “curtos e intensos”, chamados de treinamento intervalados e de alta intensidade. Como eles são mais rápidos, a probabilidade das pessoas se ocuparem com outras coisas durante o exercício são menores.

Apesar das pessoas ficarem satisfeitas com a brevidade deste tipo de treinamento, muitas vezes elas podem relatar que a intensidade do exercício não é tão divertida assim. A longo prazo, isso poderia desencorajar o indivíduo a continuar treinando.

Um novo estudo, publicado no mês passado no PLOS One, os pesquisadores da Universidade de Innsbruck na Áustria e outras instituições, investigaram se mudar o foco do treinamento e enfatizar o seu comprimento, minimizando a sua intensidade, aumentaria o prazer é o interesse das pessoas e, consequentemente, a participação delas na atividade.

Em outras palavras, os pesquisadores se perguntaram se as caminhadas longas e relativamente suaves fariam as pessoas mais felizes e, em caso afirmativo, se alguns modelos de caminhadas seriam mais prazerosas do que outras.

Para descobrir isso, eles recrutaram cerca de 40 homens e mulheres saudáveis dentro e ao redor de Innsbruck e pediram para que eles preenchessem uma série de questionários detalhados sobre seus estados de ânimo e nível de ansiedade, tanto naquele momento como de forma geral. Em seguida, eles pediram a cada voluntário para completar vários exercícios prolongados.

Uma das atividades envolvia uma caminhada pelas montanhas acima da cidade de Innsbruck com um guia. Antes de começarem, os voluntários repetiram os testes de humor. Então eles caminharam em grupos de três ou quatro pessoas ao longo de uma conhecida e sinuosa trilha de montanha.

Os voluntários usaram monitores de frequência cardíaca programados para que se movessem em um ritmo rápido, mas suportável, de modo que pudessem respirar rapidamente, mas que conseguissem conversar uns com os outros.

No meio da caminhada, eles pararam em uma cabana e disseram aos pesquisadores o quão árdua havia sido a caminhada, em uma escala de 1 a 20. Logo a seguir, eles desceram e repetiram os questionários sobre seu humor. Toda atividade durou cerca de três horas.

Em outro dia, cada voluntário realizou praticamente o mesmo treino, só que desta vez, em uma esteira, em uma academia de Innsbruck. As inclinações das máquinas foram configuradas para simular a caminhada em subida, para a primeira metade do treino e plana, para a segunda parte. As máquinas não podiam ser configuradas para o aumento de altitude negativo. Os voluntários caminharam um ao lado do outro e foram encorajados a conversar. Todos eles também completaram as estimativas de esforço e humor.

No último dia , em uma sessão de controle, todos ficaram sentados por cerca de três horas, em uma sala comum na universidade equipada com computadores, revistas e sofás, onde podiam navegar ou conversar e, antes e depois, avaliar seus sentimentos. Ao final, os cientistas compararam suas pontuações de humor entre outras avaliações.

A caminhada nas montanhas foi considerado o mais árduo dos treinos. Embora os ganhos de altitude durante a caminhada no ambiente interno e externo tenham sido comparáveis, as frequências cardíacas das pessoas aumentaram mais durante a caminhada na montanha.

Porém, curiosamente, quase todos os participantes relataram que o esforço empreendido ao ar livre foi percebido como menos árduo para eles. Ao contrário do tempo despendido na esteira.

As pontuações de humor foram muito maiores após a caminhada ao ar livre do que na esteira, indicando que eles gostaram mais de caminhar nas montanhas do que na academia.

Por outro lado, a longa caminhada na academia os deixou quase uniformemente mais felizes e mais relaxados do que depois de sentar e usar um computador ou conversar por várias horas.

Em resumo, andar tinha sido “mais prazeroso” do que não andar, mesmo que a duração dos passeios fosse longa, diz Martin Niedermeier, professor de ciência esportiva da Universidade de Innsbruck, que liderou o estudo.

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