Como o exercício combate a inflamação

Nilo Resende 11 de agosto de 2017 0

Da corrida ao levantamento de peso, a prática de uma atividade física, além de ser bom é saudável. Em parte, porque ela ajuda o corpo a combater a inflamação. A boa notícia agora é que uma nova revisão conseguiu explicar exatamente o mecanismo pelo qual o exercício ajuda a diminuir a inflamação.

A prática de uma atividade física é saudável por várias razões. Uma pesquisa mostra como ela pode combater a inflamação.

A prática de uma atividade física é saudável por várias razões. Estudos demonstram como ela combate a inflamação.

Geneticamente a inflamação (do Latim inflammatio, atear fogo) ou o processo inflamatório é uma reação natural do organismo frente a uma infecção ou lesão tecidual. É o modo utilizado pelo corpo para se recuperar após uma lesão ou para se proteger de uma infecção. A inflamação crônica está relacionada a todos os tipos de doenças, do diabetes à doença cardíaca. 

Quando começamos a exercitar e a mover os nossos músculos, as células musculares liberam uma pequena proteína chamada Interleucina 6, ou IL-6, que parece desempenhar um papel importante no combate a inflamação. Sabe-se que a IL-6 tem vários efeitos anti-inflamatórios, incluindo:

a.       Diminuir os níveis de uma proteína chamada TNF alfa, que desencadeia o processo inflamatório no corpo.

b.       Inibir os efeitos de sinalização de uma proteína chamada interleucina 1 beta, responsável por desencadear uma inflamação, que pode causar danos as células do pâncreas produtoras de insulina.

O melhor preditor para determinar a quantidade de IL-6 liberada pelos músculos é a duração do treino, isto é, quanto mais tempo treinarmos, mais IL-6 será lançada, de acordo com a revisão da pesquisa.

Por exemplo, após um treino de 30 minutos, os níveis de IL-6 podem aumentar até cinco vezes. Porém, após uma maratona, seus níveis podem aumentar em um fator de até 100 vezes, de acordo com a revisão. O pico dos níveis de IL-6 ocorre ao término do treinamento e, em seguida, diminui rapidamente para os níveis pré-exercício.

Um estudo publicado em 2003, e parte da nova revisão, explorou o papel da IL-6 na redução da inflamação. Nesse estudo, os pesquisadores injetaram nos participantes uma molécula da bactéria E. coli, conhecida por ativar uma resposta inflamatória do corpo. Os pesquisadores descobriram que, de fato, quando injetaram essa molécula, houve um aumento de duas a três vezes nos níveis da proteína TNF alfa que desencadeia a inflamação. Porém, se os participantes fizessem 3 horas de ciclismo estacionário antes de receber a injeção, eles experimentavam um aumento nos níveis de IL-6. Os pesquisadores não perceberam um aumento semelhante no TNF alfa.

Este e outros estudos mostram que um único ciclo de exercício induz um forte efeito anti-inflamatório. Em parte, devido à IL-6, segundo a revisão. Ainda assim, os revisores reconheceram que a IL-6 provavelmente não é o único fator envolvido nos efeitos anti-inflamatórios do exercício.

Por exemplo, os estudos revelaram que o exercício regular aumenta os níveis de outra proteína, chamada Interleucina-15 (IL-15), nas células musculares. A IL-15 parece ajudar a regular a acumulação de gordura abdominal, com níveis mais elevados de IL-15 proporcionando proteção contra o acúmulo de gordura abdominal em camundongos, segundo a revisão. Uma vez que a própria gordura abdominal é capaz de promover a inflamação, a redução dos níveis de gordura abdominal poderia ser outra forma de combater a inflamação, segundo a revisão.

Os pesquisadores concluíram que o exercício deve ser usado como parte do tratamento para doenças crônicas envolvendo inflamação.

A atividade física representa uma estratégia natural, com fortes efeitos anti-inflamatórios e de melhoria do metabolismo, porém com baixos efeitos colaterais, e que deveria ser integrada ao manejo de pacientes com doenças crônicas”, como diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, segundo os revisores.

A revisão foi publicada no dia 19 de julho no European Journal of Clinical Investigation.

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