Atletismo

O Atletismo

 

A história do atletismo é muito interessante e bonita. Começou ainda nos primórdios da civilização. O homem primitivo, de forma natural e quase que instintivamente, já praticava uma série de movimentos necessários para garantir a sobrevivênvia, seja nas atividades de caça, quanto nas de autodefesa.

Figura rupestre. Homem pré-histórico correndo.

Figura rupestre. Homem pré-histórico correndo.

Ele saltava, corria, lançava dardos e concomitantemente desenvolvia uma série de habilidades naturais e essenciais, como o andar, o correr, o pular e o arremessar que, por sua vez, estão relacionadas com as diversas modalidades atualmente disputadas nas provas de atletismo. 

Por isso, o atletismo é considerado como “esporte de base”. Suas provas competitivas compõem-se de marchas, corridas, saltos e arremessos. Além disso, o desenvolvimento dessas habilidades básicas são necessárias para a prática de outras modalidades esportivas.

A palavra atletismo deriva da raiz grega, “ATHI, competição”, que corresponde ao princípio do heroísmo sagrado grego, o espírito de disputa, o ideal do belo. – o que se chamou de espírito agonístico*. Com o surgimento das competições, perdeu-se o caráter de religiosidade, assumindo exclusivamente o caráter esportivo.

É possível afirmar que o atletismo seja a forma organizada mais antiga de competição. As primeiras reuniões organizadas pelo homem foram chamadas de “Jogos Olímpicos”, iniciados pelos gregos no ano 776 a.C. Desde então, o homem vem tentando superar seus movimentos essenciais.

Durante anos, o principal evento olímpico foi o pentatlo, que compreendia lançamentos de disco, salto em distância e a corrida com obstáculos. De modo geral, o atletismo é praticado em estádios, com exceção das corridas de longa distância, praticadas em vias públicas ou no campo, como a maratona.

Os romanos, mesmo depois de conquistarem a Grécia no ano 146 A.C, continuaram realizando os jogos olímpicos. Foi o romano Juvenal quem sintetizou na expressão “mens sana in corpore sano”, a filosofia do esporte.

Porém, no ano 394 d.C. o imperador romano Teodósio aboliu os jogos. Durante oito séculos não se celebraram competições organizadas de atletismo, que voltaram a ser restaurados somente na Inglaterra, em meados do século XIX.

Barão de Coubertin

Barão de Coubertin

Neste período, a figura de Pierre de Coubertin foi fundamental. Pierre de Frédy (Paris, 1 de janeiro de 1863 — Genebra, 2 de setembro de 1937) ficou mais conhecido pelo seu título nobiliárquico de Barão de Coubertin.

Ele foi um pedagogo e historiador francês, tendo ficado para a história como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna.

Foi sua a inspiração de reviver os Jogos Olímpicos. Uma ideia que surgiu após suas incursões pelos Estados Unidos e depois de ter idealizado uma competição internacional para promover o atletismo.

Ele ainda se aproveitou de um crescente interesse internacional pelos Jogos, que vinha sendo alimentado por fantásticas descobertas arqueológicas nas ruínas de Olímpia.

Imagem de uma peça arqueológica grega.

Imagem de uma peça arqueológica grega.

Foi durante um congresso internacional, em 23 de Junho de 1894 na Sorbonne em Paris, que ele anunciou seus planos. A sua proposta foi a de reinstituir a tradição de realizar um evento desportivo internacional periódico, inspirado no que se fazia na Grécia antiga.

Este congresso levou à constituição de um Comite Olímpico Internacional, do qual o barão de Coubertin foi os ecretário geral. Decidiu-se também que os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna seriam realizados em Atenas. A partir daí, tal como na antiguidade, os Jogos seriam realizados a cada quatro anos (uma Olimpíada). Em 1896, finalmente, iniciaram-se os Jogos Olímpicos.

Primeiros Jogos Olímpicos.

Primeiros Jogos Olímpicos.

Mais tarde os jogos passaram a ser realizados em diferentes países, com intervalos de quatro anos, exceto em tempo de guerra. Em 1912 fundou-se a Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF). Com sede em Londres, a associação atualmente rege as competições internacionais de atletismo, estabelecendo as regras e dando oficialidade às melhores marcas mundiais. No Brasil, a responsabilidade por este esporte cabe à CBAt – Confederação Brasileira de Atletismo.

Na moderna definição, o atletismo é um esporte com provas de pista (corridas), de campo (saltos e lançamentos), provas combinadas, como decatlo e heptatlo (que reúnem provas de pista e de campo), o pedestrianismo (corridas de rua, como a maratona), corridas em campo (cross country), corridas em montanha, com obstáculos naturais ou artificiais e, marcha atlética.

 

A Corrida

 

A corrida é a forma de expressão atlética mais pura que o homem já desenvolveu. Embora exista algo de estratégia e uma técnica implícita, é uma prática quase que instintiva e envolve basicamente o bom condicionamento físico.

As corridas de pistas dividem-se em curta distância ou velocidade (tiro rápido), que nas competições oficiais vão de 100, 200 e os 400 metros; meio fundo (800 metros e 1 500 metros); e longa distância ou de fundo (3.000 metros com obstáculos, 5.000 m e 10.000m, chegando até às maratona); Revezamento 4×100 e 4×400 m; com barreiras 100 m (feminino), 110 m (masculino) e 400 m para ambos; marcha atlética de 20 km (masculino e feminino) e 50 km (masculino). As provas de pistas e de rua vêm sofrendo contínuas adaptações para se adequarem aos avanços tecnológicos e aperfeiçoamentos.

As regras do atletismo geralmente são muito claras. O vencedor é o atleta que percorre determinada distância no menor tempo possível e cruza a linha de chegada em primeiro lugar. Uma mistura de tradição e nobreza, indissolúvel e historicamente ligada aos Jogos Olímpicos, desde os tempos ancestrais (Silvia Vieira).

Porém, existem provas que são disputadas em equipe. Outras, como o heptatlo, são realizadas de forma combinadas e somam pontos de acordo com cada modalidade.

As corridas podem ser divididas também de acordo com a existência ou não de obstáculos (barreiras) no percurso, que podem estar naturalmente ou artificialmente colocados, como nas corridas de cross country, realizadas nos campos e montanhas, ou nas pistas de atletismo.

Nas corridas de curta distância, a explosão muscular é determinante no desempenho do atleta. Por isso, existe um posicionamento especial para a largada, que consiste em apoiar os pés sobre um bloco de partida (fixado na pista) e apoiar o tronco sobre as mãos encostadas no chão (posição de quatro apoios). São frequentes as falsas partidas, quando o atleta sai antes do tiro, que é o sinal dado para começar a prova.

Contudo, nas provas combinadas, como o decatlo, cada atleta tem direito a uma falsa partida. Nas provas mais longas a partida não tem um papel tão decisivo, e os atletas saem para a corrida em uma posição mais natural, em pé, sem poder colocar as mãos no chão.

 

As Corridas de Rua

 

Com o grande sucesso da primeira Maratona Olímpica, no final do século XIX, as corridas de rua teriam ganhado um impulso ainda maior, popularizando-se particularmente nos Estados Unidos.

Foi em 1972 que aconteceu o grande Boom da modalidade, inspirado na vitória do atleta americano Frank Shorter, na Maratona Olímpica de 1972, o que gerou uma revolução sem precedentes, que ainda está em curso, e que conduziu a um aumento dramático no número de participantes desta modalidade esportiva.

Neste mesmo período, também aconteceu o “jogging boom” baseado na teoria do médico norte-americano Kenneth Cooper que difundiu seu famoso “Teste de Cooper“. Paralelamente, ainda na década de 70 começaram a surgir provas onde era permitida a participação popular junto com os corredores de elite – cada grupo largando nos respectivos pelotões.

Atualmente as corridas de rua podem reunir mais de 30.000 participantes, como essa corrida, durante a Maratona de Berlin.

Atualmente as corridas de rua podem reunir mais de 30.000 participantes, como essa corrida, durante a Maratona de Berlin.

A Federação Internacional das Associações de Atletismo (IAAF) define as corridas de rua ou provas de pedestrianismo, como aquelas disputadas em circuitos de ruas, avenidas ou estradas, com distâncias oficiais variando de 5 a 100 km.

Hoje as corridas de rua se popularizaram em todo o mundo. São praticadas em sua grande maioria por atletas amadores que buscam melhorar e/ou aumentar sua qualidade de vida através da prática esportiva.

Na última década, houve um aumento significativo do número de praticantes, tanto no mundo como no Brasil. A Runner’s World estima haver aproximadamente 24 milhões de corredores somente nos EUA.

No Brasil, ainda estamos experimentando este boom. Apesar da grande paixão do brasileiro ser o futebol, o segmento de running atualmente movimenta cerca de R$ 4,5 bilhões no país, que possui um mercado composto por aproximadamente cinco milhões de adeptos. Esse número é crescente.

 

A Maratona

 

A Maratona é considerada a mais famosa de todas as corridas. É também a maior distância nas competições de atletismo dentro do programa de uma Olimpíada, onde também é conhecida por corrida de longa distância ou de fundo. Ela pode ser realizada parcial ou totalmente fora do estádio, ou seja, nas ruas, estradas e inclusive no campo.

A prova que envolve grande resistência física. Oficialmente, o seu percurso é estabelecido em 42 km e 195 m, com uma tolerância para um desvio de + 42 metros. Ao longo de sua história, a maratona suscitou vários episódios de superação, fracassos, mortes e, consequentemente, lendas, o que cada vez mais aumenta a mística em torno dessa distância.

A corrida baseia-se na legendária façanha de um soldado grego, Fidípides, que em 490 A C. percorreu o campo de batalha das planícies de Maratona até Atenas, numa distância superior a 35 km, para anunciar a vitória dos gregos sobre os persas. Após ter cumprido sua missão, ele caiu morto de exaustão.

Em 1896, durante os Jogos Olímpicos realizados em Atenas, os organizadores estipularam uma distância superior a 40 km como forma de celebrar as realizações da Grécia Antiga. A ideia de realizar a corrida entre Maratona e Atenas surgiu do historiador francês Michel Bréal.

Antes da maratona olímpica, foram realizadas duas seletivas. A primeira foi vencida por Charilaos Vasilakos e, serviu de seletiva para a Olimpíada. A outra foi realizada na Grécia e vencida por um corredor de sobrenome Laurentis com a marca de 3h18min. Nestas seletivas alguns atletas morreram de exaustão, o que serviu para aumentar ainda mais a mística em torno de uma maratona.

1896 - Maratona Olímpica.

1896 – Maratona Olímpica.

A primeira Maratona organizada da história foi realizada no dia 10 de março de 1896. Um australiano, um norte-americano, um francês, um húngaro e 13 atletas gregos se alinharam na Ponte de Maratona para a largada daquela que seria a primeira maratona olímpica. Ao longo do percurso, os atletas foram constantemente monitorados por fiscais e médicos.

Os gregos tinham como ponto de honra vencer esta prova. Entre os corredores estava Louis Spiridon. A primeira metade da prova foi dominada pelos estrangeiros. Os gregos, com Spiridon entraram na disputa na segunda metade em diante, quando apareceram as subidas. Foi uma corrida emocionante.

Louis Spiridon chegou ao estádio acompanhado pelos príncipes herdeiros Nicholas e George até a linha de chegada, cruzada com 2h58min. Sete minutos depois, o grego, Vasilakos, chegou. Outro grego, chamado Belokas, chegou em terceiro, mas foi desclassificado.

Em 1908, durante os Jogos Olímpicos da Inglaterra, essa distância foi ampliada para a “medida imperial” de 42 km, ou 26 milhas. Essa medida foi ampliada com 195 metros (385 jardas) de forma que a o trajeto desviasse das linhas de bonde e a família Real pudesse assistir a largada no Castelo de Windsor e acompanhasse de um lugar privilegiado a chegada ao Great White City Stadium.

Durante muitos anos a maratona era uma modalidade exclusiva para homens. Entretanto, as mulheres sempre lutaram pelo seu espaço. Ainda em 1896, um dia após a vitória de Spiridon, a grega Stamata Revithi refez o percurso de 40 km entre Maratona e Atenas em 5h30min.

A maior responsável pela presença feminina em uma maratona foi de Kathrine Switezer. Em 1967, ela se inscreveu com um nome de homem durante a Maratona de Boston. Seu feito chamou a atenção da imprensa dos EUA que passou a questionar a presença das mulheres nas corridas de longa distância. Porém, a primeira maratona olímpica feminina só foi ser realizada durante os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984.

De 1896 para cá, a maratona criou mitos e desenvolveu diversas histórias de superação e lendas. Seriam necessários vários livros para relatá-los. Entretanto, alguns nomes ficaram gravados nos anais desta prova. Entre os maiores ícones, por exemplo, é obrigatório citar atletas como Abebe Bikila e Paula Redcliffe. Veja mais informações sobre estes atletas nos destaques internacionais.

Bikila foi um membro da guarda imperial do exército da Etiópia recrutado no último instante. Ele causou sensação no mundo ao correr descalço pelas ruas de Roma e ganhar a medalha de ouro olímpica. Ele foi o primeiro atleta africano a alcançar este feito nos Jogos Olímpicos de 1960. Quatro anos depois, ele manteve o título. Desta vez, correndo calçado. Nas duas ocasiões ele atingiu o recorde mundial. Ele foi elevado ao Hall da Fama da IAAF em 2012.

Paula Radcliffe é uma atleta britânica. Ela correu sua primeira maratona em 2002. Entretanto, um ano depois, ela conseguiu estabelecer o recorde mundial de 2h15min nos Jogos de Londres. Ela ainda ganhou o titulo mundial de 2005 e, ainda venceu por várias vezes as maratonas de Nova York e Chicago.

O Brasil também possui grandes maratonistas. Entre eles se destacam Ronaldo da Costa, Vanderlei Cordeiro de Lima e Marilson Gomes dos Santos.  Maiores detalhes sobre estes atletas podem ser acessados em “destaques nacionais”.

Ronaldo impressionou o mundo, na segunda maratona que disputou. A prova foi realizada em Berlim no ano de 1998. Ele conseguiu quebrar o recorde mundial do etíope Belayneh Dinsamo, que já durava mais de 10 anos. Ronaldo cravou uma marca de 2h06min. A melhor marca até hoje alcançada por um maratonista brasileiro.

Entre os maiores maratonistas de todos os tempos estão os nomes de atletas como Wilson Kipsang Kiprotich, atual detentor do recorde mundial de 2:03:23, alcançado em 2013 em Berlim. Além dele, estão Patrick Makau Musyoki (02:03:38 – Quenia), Haile Gebrselassie (02:03:59 – Etiópia), Eliud Kipchoge (02:04:05 – Quenia) e Geoffrey Kiprono Mutai  (02:04:15 – Quenia). Entre as mulheres, podemos citar Paula Radcliffe (02:15:25 – Inglaterra), Liliya Shobukhova  (2:18:20 – Rússia), Mary Jepkosgei Keitany  (2:18:37 – Quenia), Catherine Ndereba (02:18:47 – Quenia) e,  Tiki Gelana  (2:18:58 – Etiópia).

Hoje, as maratonas se tornaram grandes eventos e, aos poucos muda a sua característica de ser uma prova de resistência para também ser uma prova de velocidade. As maiores provas no mundo nesta distância, como as Maratonas de Nova York, Boston, Berlim, Londres, Chicago e Tóquio chegam reunir facilmente de 30 a 40.000 participantes.

Maratona Olímpica de Londres.

Maratona Olímpica de Londres.

Com um número, cada vez mais crescente quanto ao número de praticantes, com atletas correndo cada vez mais rápido, aliado a incansável busca do homem pela superação em seus desafios, resta uma pergunta: – Há um limite? Com certeza que não. Mas ainda continuaremos aguardando o dia em que o homem conseguirá quebrar a barreira das 2 horas em uma maratona.

 

A Ultramaratona

 

A origem da ultramaratona é tão antiga quanto a história do próprio homem. Não é difícil de imaginar o homem primitivo em suas primeiras incursões pelo ambiente que vivia a procura de alimento e segurança. Sem o luxo dos relógios ou dos modernos aparelhos de GPS, ninguém consegue imaginar a distância que primeiros atletas conseguiam percorrer, antes de fazerem uma parada. Hoje, milhares de corredores participam de ultramaratonas por todo o mundo.

As ultramaratonas são corridas disputadas em duas modalidades distintas: a) com uma distância pré-estabelecida, como 50 km, 100 km ou mais; b) dentro de um período de tempo, como seis horas, 24 horas ou eventos que envolvam mais de um dia.

Ambos ganham popularidade com o público. As corridas geralmente são organizadas em a) trilhas, onde os atletas podem aproveitar a beleza cênica do ambiente natural; b) pistas, onde os atletas não precisam se aventurar tão longe da linha de largada ou chegada, isto é, correm dentro de um campo de visão; c) estradas, onde os atletas podem aproveitar tanto as ruas mais calmas quanto as mais agitadas. Algumas ultramaratonas são uma combinação de dois ou mais terrenos diferentes. Algumas provas ocorrem dentro no modelo de etapas e outras são realizadas dentro de um período de dias.

A ultramaratona também possui seus ícones. Giorgio Calcaterra é um deles. Ele venceu por o Campeonato Mundial, impondo marcas que frequentemente ficam no topo do ranking nos 100 km. Seu recorde pessoal nesta distância é de 6:23:20. Mami Kudo é outro destaque. Essa corredora japonesa é considerada a “rainha” da melhor performance mundial. Em 2012 ela estabeleceu o novo recorde mundial nas 24 horas percorrendo 255,303 km. No mesmo ano, ela também estabeleceu uma nova marca com a distância de 368,687 km.

 

A Marcha Atlética

 

Trata-se de uma modalidade do atletismo onde se executa uma progressão de passos de tal forma que o atleta mantenha sempre um dos pés em  contato com o solo. A perna que avança deve estar reta, não fletida desde o momento do primeiro contato com o solo até que se encontre em posição vertical.

A marcha atlética surgiu por volta dos séculos 17 e 18 dentro da aristocracia. No século XIX ganhou popularidade com o nome de pedestrianismo. A marcha é também uma criação inglesa, com os famosos “footman”, que cobriam distâncias fantásticas neste período.

A Marcha atlética.

A Marcha atlética.

O homem que é considerado o criador da disciplina como a conhecemos, foi, no entanto, um americano, Edward Payson Wetson, que passou a maior parte da sua vida atravessando o continente americano marchando.

A marcha apareceu pela primeira vez em uma olimpíada em 1904, como parte de outro evento. Foi integrada aos Jogos Olímpicos somente em 1908. Em 1992 passou a ser disputada na categoria feminina. Há dois tipos de provas: a) de 20 km para o feminino e, b) de 20 km e 50 km para o masculino, que se realizam normalmente em um circuito na rua de no mínimo 1 km e no máximo 2,5 km. É uma atividade em que a resistência e a técnica do atleta são fundamentais.

O regulamento estabelece que os juízes de marcha devem advertir aos atletas que por sua forma de marchar, correm o risco de cometer alguma falta. Para isso utilizam placas amarelas com o símbolo de uma possível infração. No julgamento, quando um atleta comete infração é anotado no quadro de advertências um cartão vermelho correspondente a infração cometida. Quando três juízes diferentes mostram os cartões vermelhos a um atleta, o juiz chefe procede a desqualificação do mesmo.

O atual recorde mundial na categoria de 20 km é do equatoriano Jefferson Pérez, com 1h17m21s e nos 50 km pertence ao russo Denis Nizhegorodov, com 3h35m29s. O maior nome da marcha atlética em todos os tempos é o do polonês Robert Korzeniowski, tetracampeão olímpico e tricampeão mundial, nas duas distâncias, entre 1996 e 2004. Atualmente, a Rússia e a China são as nações dominantes na prática da marcha atlética, tanto no masculino, quanto no feminino.

 

A Corrida Cross Country

 

Corrida cross country.

Corrida cross country.

A corrida cross country podem ser disputadas em equipe ou de forma individual.

São corridas feitas sobre terreno aberto ou acidentado. Difere da corrida de rua ou em pista principalmente pelo percurso, que pode incluir a grama, lama, mato ou água. Difere também no sistema de classificação. As equipes podem ser compostas de cinco a sete corredores.

A IAAF recomenda para competições internacionais que o percurso tenha uma volta entre 1.750 m e 2.000 m com o uso de obstáculos naturais, onde for possível.

Os terrenos não devem oferecer perigo aos corredores. Nas competições amadoras internacionais, a IAAF exige uma distância mínima de 2 000 m a 5 000 m (1,25 a 3 milhas) para mulheres e 12 000 m (7,5 milhas) para homens.

A primeira competição internacional de cross country foi registrada em 1898 em Ville d’Avray, na França. O primeiro campeonato internacional foi realizado em 17 de março de 1973 na cidade Belga de Waregem. Também há o registro de corridas cross country masculina realizada nos Jogos Olímpicos de 1912, 1920 e 1924.

Nesta modalidade de corrida, o destaque é o atleta etíope Kenenisa Bekele que conquistou 16 medalhas de ouro no Campeonato Mundial realizado pela IAAF. Foram 12 individuais e 04 em equipe. Ele conquistou cinco vitórias duplas consecutivas entre os anos de 2002 e 2006, tanto no percurso longo, quanto no curto.

Apesar de Bekele ter conquistado maior número de medalhas, entre os anos de 1995 e 1999, os quenianos dominaram a modalidade. Paul Tergat, por exemplo, foi o primeiro homem a conquistar 5 campeonatos Mundiais consecutivos. Suas vitórias vieram em diferentes condições de percursos. Sua vitória mais importante foi em 1996 na cidade do Cabo quando ele ganhou por uma diferença de 12 segundos, após correr os 10 km em 27minutos57 segundos.

Por outro lado, Grete Waitz foi destaque no feminino. Apesar dela ter ganhado fama como maratonista, no começo da carreira, ela já se destacava no cross country. Ganhou por cinco vezes no Campeonato Mundial, com uma margem de 25.6 segundos, e terminou em terceiro em outras duas ocasiões. Ela também alcançou a maior margem de vitória na história de todos os campeonatos com 44 segundos a frente de sua principal rival no ano de 1980.

 

Corrida de Montanha

 

Corrida em montanha.

Corrida em montanha.

Toda filosofia da corrida de montanha é baseada no fator tempo, isto é, como atingir a linha de chegada, utilizando o caminho definido o mais rápido possível?

A corrida em montanha pode ser realizada dentro de uma ampla variedade de distâncias, subidas, descidas e tipos de terrenos.

As distâncias podem variar desde uma corrida curta de 15 minutos, até várias horas de trecking. Ainda há percursos para diferentes tipos de habilidade e grupos etários. Tudo é feito de forma a eliminar qualquer perigo. Em corridas oficiais, não é permitido o uso de nenhum tipo de equipamento.

A IAAF possui regras para definir as distâncias e a altimetria para diferentes categorias de corredores.

Entre os ícones da corrida de montanha encontra-se Marco De Gasperi que conquistou seis medalhas de ouro individual em Campeonatos Mundiais, cinco na categoria Senior (1997, 1999, 2001, 2003, 2007). Todas as corridas com subidas e descidas. Além dele, a atleta francesa Isabelle Guillot é outro destaque com quatro medalhas de ouro (1989, 1991, 1993 and 1997).

 

O Lançamento

 

As disciplinas oficiais de lançamento envolvem o arremesso de peso e nos lançamentos de martelo, de disco e o de dardo.

O peso consiste no arremesso de uma esfera metálica que pesa 7,26 kg para os homens adultos e 4 kg para as mulheres.

O peso

O peso

O martelo é similar a essa esfera, mas com um cabo, o que permite imprimir movimento linear à esfera e assim atingir uma distância maior.

Arremesso de martelo.

Arremesso de martelo.

O disco é um pouco mais leve, pesando um quilograma para as mulheres e dois quilogramas para os homens.

Arremesso de disco.

Arremesso de disco.

O dardo pesa 600 gramas para as mulheres e 800 gramas para os homens.

Arremesso de dardo.

Arremesso de dardo.

Os lançamentos são executados dentro de áreas limitadas, são círculos demarcados no solo para o arremesso ou lançamento e, antes de uma linha demarcada para o lançamento do dardo. A partir dessas marcas se conta a distância dos lançamentos. As competições envolvem várias tentativas por parte dos atletas, que aproveitam as melhores marcas obtidas. As provas são normalmente praticadas no espaço interior à pista das corridas.

As primeiras marcas registradas pertencem ao inglês Herbert Williams, que em Londres, em 28 de maio de 1860, lançou o peso a 10,91 m, e o da Era IAAF ao americano Ralph Rose, que em 21 de agosto de 1909 arremessou 15,54 m em São Francisco. William Parry O’ Brien revolucionou esta prova, criando um novo estilo, no qual o atleta começa o movimento de costas para o local do arremesso. O’ Brien venceu os Jogos Olímpicos de Helsinque e Melbourne, ganhou a prata em Roma e ainda se classificou em 4º lugar em Tóquio 12 anos depois de iniciar a sua carreira olímpica. Foi também o primeiro atleta a vencer mais de 100 competições consecutivas. No Brasil, o primeiro recorde reconhecido foi do atleta E. Engelke, vencedor do primeiro Campeonato Brasileiro de 1925, com a marca de 11,81 metros.

 

Os Saltos

 

Nesta categoria, as provas são divididas em salto vertical, onde estão o salto em altura e o salto com vara, e horizontal, onde se encontra o salto em distância e o salto triplo.

Salto com vara.

Salto com vara.

 

Os atletas tomam impulso numa pequena pista de balanço, com o objetivo de alcançar maior distância. O salto em altura, que tem por objetivo ultrapassar uma barra horizontal, é realizado mediante tentativas. A barra é colocada em determinada altura à qual os atletas devem tentar saltar. Se conseguirem, eles progridem para um salto mais alto.

O Salto triplo.

O Salto triplo.

Qualquer atleta que derrubar a barra por três vezes é desclassificado, sendo contada a marca alcançada anteriormente. O salto com vara funciona do mesmo modo, mas neste caso, o atleta tem o apoio de uma vara. Em ambos os saltos, há um colchão para amortecer a queda do atleta.

No salto em distância e no salto triplo, o atleta faz sua aterrissagem numa caixa de areia. Há uma marca na pista que indica o limite máximo de corrida de balanço antes do salto. Se o atleta ultrapassar ou tocar nessa marca, o salto será nulo.

Aterrisagem de um atleta em caixa de areia após o salto triplo.

Aterrisagem de um atleta em caixa de areia após o salto triplo.

 

As Provas Combinadas

 

Algumas competições envolvem combinações de várias modalidades, no intuito de consagrar um atleta mais completo. As provas oficiais do decatlo (para os homens) e do heptatlo (para as mulheres) combinam corridas, saltos e lançamentos. Os atletas pontuam de acordo com as suas marcas nas provas individuais (tendo por base uma tabela de conversão de marcas por pontos), e esses pontos são somados para a definição do vencedor.

 

As Corridas em Pista

 

Pista de atletismo.

Pista de atletismo.

A pista de corrida possui oito raias por onde os atletas devem correr. Cada uma tem 1 metro e 22 centímetros. Assim, a largura da pista é de no mínimo 10 metros, com algum espaço além das raias interna e externa.

A pista oficial é constituída por duas retas e duas curvas, possuindo raias concêntricas. A raia interna, mais próxima ao centro, tem o comprimento de 400 metros. A externa é mais longa, possuindo 449 metros.

Dimensões de uma pista de atletismo.

Dimensões de uma pista de atletismo.

Nas corridas de curta distância, os atletas devem permanecer dentro das raias que largaram. Nas corridas de média e longa distância, os atletas não precisam correr nas raias. Geralmente eles se dirigem para a raia interior, evitando percorrer distâncias maiores.

A pista coberta deve se situar num recinto completamente fechado, coberto, mas provido de iluminação, aquecimento e ventilação e que possa oferecer condições satisfatórias para a competição.

O local deverá incluir uma pista oval com 200 metros, uma pista reta para as corridas de velocidade (60 metros) e de barreiras; pistas de balanço e áreas de queda para saltos. Além disso, deverá dispor também de um círculo e local para o lançamento e queda dos pesos arremessados, sejam eles permanentes ou temporários.

Conforme observa Silvia Vieira, depois de mais de 2800 anos da primeira edição dos jogos Olímpicos, todos ainda querem saber quem é o mais rápido, quem salta mais alto e quem é o mais forte.

Na galeria dos heróis olímpicos, a colaboração do atletismo é inestimável. De Spiridon Louis à Usain Bolt. De Adhemar Ferreira da Silva à Vanderlei Cordeiro de Lima. A seguir nas seções Destaques Nacionais e Internacionais, há uma pequena contribuição, agregando dentro de um único espaço os principais nomes do atletismo mundial e brasileiro. Com certeza, há muitos outros nomes que poderiam estar presentes nesta lista. Desculpem-nos se, por acaso omitimos algum nome importante.

 

Observações:

* Agonístico. adj (gr agonistikós) Que se refere aos combates atléticos da antiga Grécia.

1.Em provas de saltos em distância e corridas curtas, os recordes só serão válidos se o vento que estiver a favor não ultrapassar a marca de 2 metros por segundo. Nas corridas longas, o vento não influi decisivamente, pois os atletas estão expostos a rajadas provenientes de várias  direções.

 

Fontes de Apoio:

Vieira, Silvia. 1967 – O que é Atletismo – Rio de Janeiro: Casa da Palavra. COB 2007.

www.iaf.org

www.cbat.org.br

 

O atletismo é praticado no mundo todo, sendo, na maioria dos países, iniciado nas escolas, universidades e clubes. Infelizmente essa não é a realidade do Brasil. O país ainda precisa saber valorizar a importância da Educação, do Esporte e da Saúde na formação do cidadão.

Não obstante, também temos os nossos heróis. Na grande maioria, são pessoas de origem simples, que tiveram pouco ou nenhum apoio para chegar aonde chegaram, mas, que chegaram lá.

Não é objetivo desta galeria, apresentar um levantamento biográfico minucioso dos principais atletas brasileiros, mas sim, reunir em um único local, os principais representantes de nosso atletismo, para que todos aqueles que procuram informações nesse espaço, especialmente os mais jovens, e com pouco conhecimento de nossa história, possam conhecê-los um pouco melhor. Essa será nossa contribuição.

Conheçam quem foi o atleta culto, formado em Direito, Belas Artes, Relações Públicas, Educação Física, que falava vários idiomas, que foi adido cultural do Brasil, e que participou do filme Orfeu Negro; vejam quem foi a mulher que foi para as olimpíadas sem treinador, patrocinador, tênis ou uniforme próprios; descubram quem foi a primeira brasileira a vencer a prova feminina da Corrida de São Silvestre ou a participar da primeira maratona olímpica; vejam quem foi o atleta técnico com estilo elegante e com suas passadas decididas, fez o Brasil retornar, após 52 anos de ausência, às maratonas olímpicas.

Conheçam a história do atleta que foi abandonado por parentes e amigos nos tempos de glória, e que passou os últimos anos de vida solitário, com depressão, alcoolismo e problemas financeiros; descubram quem foi um dos melhores velocistas brasileiro, estando entre os oito mais rápidos do mundo. Se inspirem na história do atleta que venceu a Maratona de Berlim, estabelecendo um novo recorde, que já durava quase 10 anos, com o tempo de 2h06m05s; descubram quem foi o único brasileiro a receber a mais alta distinção olímpica.

Na galeria dos heróis, a colaboração do atletismo é inestimável. De Adhemar Ferreira da Silva à Vanderlei Cordeiro de Lima, estão muitos outros. Trata-se de uma relação apenas, mas que, felizmente, pela perseverança e garra de nossos atletas, não se esgotará jamais. Sabemos que há no Brasil, um celeiro com grandes atletas, mas é preciso localizá-los, cuidar deles e, certamente, investir na sua preparação.

Com certeza, há muitos outros nomes que poderiam estar presentes nesta lista. Desculpem-nos se, por acaso, omitimos o nome de alguém. Contribuições no sentido da ampliação desse rol de atletas serão muito bem vindas.

Esperamos que, leiam, apreciem, se emocionem e, principalmente, se inspirem!

 

Adhemar Ferreira da Silva

(São Paulo, 29 de setembro de 1927 – São Paulo, 12 de janeiro de 2001)

 

Nasceu em São Paulo em 29 de setembro de 1927, onde também morreu em 12 de janeiro de 2001. Competiu pelo São Paulo e pelo Vasco, sempre treinado por Dietrich Gerner. Bicampeão olímpico e tricampeão dos Jogos Pan-Americanos estabeleceu cinco vezes o recorde mundial do salto triplo.

Sua carreira é ligada aos Jogos Pan-Americanos. Foi tricampeão em Buenos Aires 1951, Cidade do México 1955 e Chicago 1959, o primeiro atleta do Brasil a conquistar tal proeza. Feito que demorou 40 anos para ser igualado.

No PAN de 1955 na Cidade do México Adhemar fez a melhor marca de sua vida: 16,56 m. E pela quinta vez estabeleceu o recorde mundial. Era, então, atleta do Vasco, após defender o São Paulo por quase uma década.

Adhemar Ferreira da Silva

Adhemar Ferreira da Silva

Era um atleta culto. Formado em Direito, Belas Artes, Relações Públicas e Educação Física. Falava vários idiomas, como inglês e francês. Foi adido cultural do Brasil na Nigéria e participou do filme Orfeu Negro, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, em 1959.

Diferenciado fora das pistas, nelas Adhemar era fantástico. E como tantos atletas brasileiros teve um início de carreira quase por acaso. Com 18 anos, depois de receber algumas explicações, fez 12,90 m. Impressionou a todos.

Em dezembro de 1950, Adhemar entrou para a história, ao saltar 16 m e igualar o recorde mundial do japonês Naoto Tajima, que vigorava desde 1936. Os 16 m para o triplo eram consideramos uma espécie de limite para as possibilidades humanas. E Adhemar estava desafiando esse conceito.

Em 1951, tornou-se o primeiro nome do atletismo nacional a ganhar ouro no PAN, em Buenos Aires, com 15,19m. Em 30 de setembro, um dia após completar 24 anos, mostrou que estava mesmo “acima das possibilidades humanas”, ao saltar 16,01 m na pista do Fluminense, no Rio. Em Helsinque 1952 superou duas vezes seu próximo recorde, com 16,12 m e 16,22 m.

Ainda superaria o recorde mundial no México em 16 de março de 1955, quando foi bicampeão do PAN. Ao chegar à Cidade do México, Adhemar leu uma entrevista do venezuelano Arnold Devonish que prometia vencê-lo. Adhemar o procurou e disse que o ouro seria seu uma vez mais. O brasileiro tinha 16,15 m até o penúltimo salto. Devonish saltou 16,13 m, mas Adhemar entendeu errado o anúncio. Pensou que fosse 16,15 m também e que estivessem empatados. Concentrou-se e no último salto conseguiu 16,56 m, o novo recorde mundial.

No ano seguinte, chegou à Melbourne, na Austrália, em 27 de novembro, saltou 16,35 m, recorde olímpico. Ganhou o apelido de “Canguru Brasileiro”. Em 1959, em Chicago, Adhemar, com 32 anos, saltou 15,80 m e foi tricampeão dos Jogos. Em 1960, despediu-se com um salto de 15,07 m nos Jogos de Roma.

Adhemar morreu em São Paulo, em 12 de janeiro de 2001. O Brasil perdeu seu maior atleta olímpico. E o mundo perdeu alguém que destruiu a teoria das “possibilidades humanas”. O primeiro a mostrar que o ser humano poderia voar bem mais do que 16 metros, com um pulo, um passo e um salto.

 

 

Agberto Conceição Guimarães

(18 de agosto de 1957)

 

Agberto Conceição Guimaraes

Agberto Conceição Guimaraes

Agberto Guimarães começou sua carreira esportiva no Atletismo, com o qual obteve várias vitórias, entre elas: 4º lugar nos 800m nos Jogos Olímpicos de Moscou 1980; semi-finalista nos 800m nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984; ouro nos 800m e 1500m e prata nos 4x400m nos Jogos Pan-Americanos de Caracas 1983; bronze nos 800m e 1500m nos Jogos Pan-Americanos de Porto Rico 1979.

Atuou como Diretor Técnico da Confederação Brasileira de Atletismo entre 1995 e 1997; como Diretor de Esportes do Comitê Organizador dos XV Jogos Pan-americanos e Parapan-americanos Rio 2007 entre 2002 e 2007 e como Gerente Geral da Solidariedade Olímpica Internacional no Brasil.

Sua última função antes de entrar para o Comitê Organizador Rio 2016 foi Gerente Geral de Desenvolvimento do Comitê Olímpico Brasileiro entre 2008 e 2010, período em que também atuou como Diretor do Comitê de Candidatura Rio 2016. Agberto é formado em Educação Física pela Universidade de São Caetano. Autor do livro “Atletismo – Corrida”.

 

Aída dos Santos

(Rio de Janeiro, 1 de março de 1937)

Ex-atleta brasileira. Participou de duas edições dos Jogos Olímpicos. Em Tóquio 1964, ficou em quarto lugar no salto em altura. Naquela ocasião, Aída foi a única mulher da delegação brasileira. A única do atletismo.

Aída dos Santos

Aída dos Santos

Única mulher na delegação brasileira daquele ano, Aida competiu sem treinador, patrocinador, tênis ou uniforme próprios. Havia conquistado a vaga em Tóquio às vésperas da competição, quando alcançou o índice olímpico ao praticar o esporte por diversão.

Também foi a única atleta sul-americana presente. Ela cravou um lugar na história simplesmente por estar numa competição daquelas: era uma brasileira, negra, sem estrutura de treinamento, com o país no início da ditadura militar, contra nações muito mais desenvolvidas inclusive em termos esportivos!

Sem a ajuda de ninguém, ela mal conseguiu preencher a ficha de inscrição, toda em inglês. Seu nome não constava na relação de atletas brasileiros e ela não pode retirar o material para competir.

Nas eliminatórias, obteve a classificação à custa de uma torção no pé – estava acostumada a cair na areia, não na espuma. Movida apenas de garras e com uma sapatilha emprestada de um corredor cubano para a grande final, Aida voltou ao Brasil como heroína e representa o melhor do espírito olímpico. Quatro anos depois, nos Jogos da Cidade do México, ficou em vigésimo no pentatlo.

Aida tem um instituto para promover a inclusão social por meio do atletismo e do voleibol. Em 2006, ela recebeu o Troféu Adhemar Ferreira da Silva no Prêmio Brasil Olímpico. Em 2009 foi agraciada com o Diploma Mundial Mulher e Esporte, uma premiação especial do Comitê Olímpico Internacional.

 

Antônio Euzébio Dias Ferreira

 

Antônio Euzébio

Antônio Euzébio

 

 

 

 

 

Ex-recordista brasileiro dos 400m c/barreiras.

 

 

 

 

 

 

 

Carmem Sousa de Oliveira Furtado

(Sobradinho, DF, 17 de agosto de 1965)

 

Carmem de Oliveira

Carmem de Oliveira

 Ex-corredora de longa distância brasileira.

Foi a primeira brasileira a vencer a prova feminina da Corrida de São Silvestre, em 1995, quebrando um tabu que já durava 20 anos.

Mãe aos 16 anos, Carmem fora vice-campeã nas edições de 1985, 1990, 1992 e 1993.

É recordista sul-americana da maratona, com o tempo de 2h27m41s, conquistados durante a Maratona de Boston de 1994. Recordes esses que perduram até hoje, mais de dez anos após ter parado de correr.

Participou dos Jogos Olímpicos de Barcelona 1992, na prova dos 10.000 metros, e nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996, na maratona.

 

Conceição Aparecida Geremias

(23 de Julho de 1956, Campinas, São Paulo)

 

Conceição Aparecida Geremias

Conceição Aparecida Geremias

A paulista Conceição Geremias, começou sua carreira profissional em 1970. Destacou-se em diferentes tipos de competição.

Escolheu cedo uma das mais difíceis modalidades do atletismo, o heptatlo (100m com barreiras, salto em altura, arremesso de peso, 200m, salto em distância, lançamento de dardo e 800m).

Recordista sul-americana juvenil em diversas provas do pentatlo (cinco provas). Em 1971 conquista o primeiro título sul-americano na categoria adulto.

De 1975 até 1990, ela foi recordista brasileira nos 100m e 400m com barreiras. Em 1983, levou o ouro em diversas provas de heptatlo nos Jogos Pan-Americanos de Caracas. Em 1993, no Mundial do Japão, conquistou uma medalha de prata nos 100m com barreiras.

Parecia que ninguém ia segurar a campinense. Dois anos depois, no Mundial de Búfalo (EUA), a veterana teve o gosto de ganhar, aos 39 anos, a medalha de prata no salto com vara. Geremias, em 1994 foi eleita “a melhor atleta em duas décadas”.

 

Eleonora Mendonça

 

Eleonora Mendonça

Eleonora Mendonça

Eleonora Mendonça é maratonista olímpica e promotora de eventos esportivos no Brasil.

Foi a primeira mulher a representar o Brasil numa maratona olímpica, durante os Jogos Olímpicos de 1984.

Além dela, apenas outras duas atletas do atletismo representaram o Brasil nesta olimpíada: Aparecida Geremias e Esmeralda de Jesus Garcia.

Além desse feito, ela organizou o primeiro circuito de corridas de rua do Brasil, a primeira maratona do país, e foi uma das coeditoras da primeira revista especializada em corrida do país (“A Corrida”).

Eleonora foi detentora do recorde brasileiro feminino na maratona por oito anos. Recorde que ela mesma bateu por quatro vezes, além de ter sido Top 10 das maratonas de Nova York e Boston.

 

 

 

 

Eloi Rodrigues Schleder

(16 de julho de 1951, Passo Fundo, RS)

 

Eloi Schedler

Eloi Schedler

 Corredor de longa distância brasileiro. As maratonas se popularizaram no Brasil no final da década de 70 e se intensificaram durante os anos 80.

Elói foi um atleta técnico com estilo elegante que com suas passadas decididas fez o Brasil retornar, após 52 anos de ausência, às maratonas olímpicas nos Jogos de 1984 em Los Angeles, como nosso único representante.

Ele terminou a prova na 23ª posição com o tempo de 2h15min35seg. Uma marca respeitável, até hoje.

 

 

Émerson Iser Bem

(Santo Antônio do Sudoeste, Paraná)

 

Emerson Iser Ben

Emerson Iser Ben

Corredor de longas distâncias brasileiro.

Em 1997, competiu na Corrida de São Silvestre, tradicional corrida disputada sempre no dia 31 de Dezembro de cada ano, e bateu o então favorito, recordista da prova e bicampeão Paul Tergat. Depois, chegaria ao pentacampeonato.

Emerson Iser Bem está presente no ranking Brasileiro de todos os tempos em corrida de rua, que elenca os melhores atletas por prova no atletismo brasileiro na modalidade de meia maratona, por ter alcançado a marca de 1:01.14 em Tóquio no dia 16 de janeiro de 1999.

 

 

 

 

Esmeralda de Jesus Freitas Garcia

(Sete Lagoas, 16 de fevereiro de 1959)

Compleição: Peso: 52 kg Altura: 1,62m

 

 

Esmeralda da Jesus

Esmeralda da Jesus

Esmeralda de Jesus, como ficou conhecida, é uma das maiores velocistas e saltadoras da história do Brasil. Sua carreira se desenvolveu nas décadas de 70 e 80, quando a infraestrutura do atletismo nacional só́ dava vazão aos fora de serie.

Em sua trajetória esportiva, Esmeralda obteve 33 vitórias internacionais; 30 nacionais e 13 estaduais. Na categoria adulta, Esmeralda contabiliza oito recordes brasileiros, oito sul-americanos e dois batidos em campeonatos universitários dos Estados Unidos.

Foi uma das primeiras atletas a deixar o Brasil e buscar intercâmbio e excelência no Exterior, logo após as Olimpíadas de Montreal em 1974.

 

 

 

 

Décio de Oliveira Castro

 

Decio de Oliveira Castro

Decio de Oliveira Castro

Décio Oliveira Castro, 72, correu pela primeira vez em uma São Silvestre, em 1953.

“Sem treino e descalço”, conta. Tomou gosto pelo esporte e hoje percorre 76 km semanais. Nos fins de semana, corre cerca de 23 km diários, incluindo subidas no percurso.

Ao contrário de outros membros de sua família, Castro não sofre de hipertensão, de diabetes ou de problemas de visão. “Leio qualquer coisa sem ajuda de óculos. Remédios, só para dor muscular, comuns após maratonas.” Veja mais detalhes no vídeo:  http://www.youtube.com/watch?v=zqcKs9CG61I

 

 

Irenice Maria Rodrigues

 

Irenice Maria Rodrigues

Irenice Maria Rodrigues

No Brasil, o primeiro recorde reconhecido nos 400 metros rasos feminino, foi da atleta IRENICE MARIA RODRIGUES, vencedora do Campeonato Regional do Rio de Janeiro em 1967, com o tempo de 53.9.

Irenice também estabeleceu o primeiro recorde brasileiro nos 800 metros feminino durante os Jogos Pan-americanos de Winnipeg em 1967, cumprindo essa distância com o tempo de 2min8s5.

 

 

 

 

João Carlos de Oliveira (João do Pulo)

(Pindamonhangaba, 28 de maio de 1954 — São Paulo, 29 de maio de 1999)

Compleição: Peso: 76 kg Altura: 1,86 m

 

 

João Carlos de Oliveira, o João do Pulo.

João Carlos de Oliveira, o João do Pulo.

Foi um atleta saltador, militar e político brasileiro, ex-recordista mundial do salto triplo.

Em 1973, quebrou o recorde mundial junior de salto triplo no Campeonato Sul-Americano de Atletismo com a marca de 14,75 m. Em 1975, já como atleta adulto nos Jogos Pan-Americanos da Cidade do México, conquistou a medalha de ouro no salto em distância com a marca de 8,19 m e, em 15 de outubro, também a medalha de ouro no salto triplo, com a incrível marca de 17,89 m, quebrando o recorde mundial desta modalidade em 45 cm, e que pertencia ao soviético Viktor Saneyev.

Era o favorito à medalha de ouro no salto triplo nos Olimpíada de Montreal, mas, convalescendo de uma cirurgia na barriga, saltou apenas 16,90 m e foi superado pelo soviético Viktor Saneyev (17,29 m) e pelo norte-americano James Butts (17,18 m), ficando com a medalha de bronze.

De quebra, foi quarto colocado no salto em distância. Nos Jogos Pan-americanos de Porto Rico, João tornou-se bicampeão tanto do salto triplo como do salto em distância. Neste último, derrotou o futuro tetracampeão olímpico da prova, Carl Lewis.

Em 1980, novamente favorito a vencer o salto triplo na Olimpíada de Moscou, ficou uma vez mais com a medalha de bronze (17,22 m), superado respectivamente pelos soviéticos Jaak Uudmae (17,35 m) e Viktor Saneyev (17,24 m). Os árbitros da prova anularam 3 de suas 6 tentativas, incluindo uma em que teria ultrapassado a marca de 18 metros, o que lhe daria não apenas a medalha de ouro, mas também um novo recorde mundial e olímpico. Passadas três décadas da competição, suspeitas de favorecimento da organização da prova aos atletas da casa continuam a ecoar em órgãos de imprensa esportiva em todo o planeta.

João do Pulo foi tricampeão mundial do salto triplo em 1977 (em Düsseldorf, na Alemanha), 79 (em Montreal) e 81 (em Roma, com 17,37 m, vencendo Jaak Uudmae e o futuro recordista mundial Willie Banks). Porta-bandeira do Brasil no desfile de abertura dos Jogos Olímpicos em Montreal-76 e em Moscou-80, João foi o principal ídolo do esporte amador brasileiro entre 1975 e 1981.

Teve a carreira de atleta brutalmente interrompida em 22 de dezembro de 1981, quando sofreu um grave acidente automobilístico na Via Anhanguera, no sentido Campinas-São Paulo. Após quase um ano de internação na UTI, sua perna direita teve de ser amputada. Nos anos seguintes, estudou Educação Física e entrou na vida política, tendo sido eleito deputado estadual em São Paulo pelo Partido da Frente Liberal, em 1986, e reeleito em 1990. Não conseguiu se reeleger em 1994 e 1998.

João do Pulo morreu em 1999 devido a cirrose hepática e infecção generalizada. Abandonado por parentes e amigos que se refestelavam às suas custas nos tempos de glória passou os últimos anos de vida solitário, com depressão, alcoolismo e com problemas financeiros.

 

 

João da Mata Ataíde

(Diamantina, 8 de Fevereiro de 1954)

 

João da Mata Ataíde

João da Mata Ataíde

João da Mata de Ataíde, nasceu em Diamantina, no dia 8 de Fevereiro de 1954.

Foi um grande atleta de corrida brasileiro. Atuou em competições entre os anos de 1973 e 1997.

Começou a correr em 1973, aos 18 anos, na cidade de Diamantina, quando era sargento da Polícia Militar.

Até 1976, João da Mata corria pelo Clube Vila Rica, quando a equipe de atletismo do clube foi extinta e seus atletas foram transferidos para o Clube Atlético Mineiro. Em 1983, foi campeão da São Silvestre pelo Clube Atlético Mineiro.

Foi impedido de entrar nas Olimpíadas de 1984. Alguns dizem que ele foi impedido por causa de uma contusão que sofreu, outros dizem que ele foi impedido por causa de uma propaganda na camisa.

Em 1995, com 42 anos, o mineiro venceu a Corrida Internacional de São Silvestre na categoria veteranos. Parou de competir em 1997.

Principais Marcas:

Campeão da Corrida de São Silvestre em 1983 percorrendo os 12.600m da prova com o tempo de 37min39s19.

30° lugar na Maratona de Nova York, nos Estados Unidos, em 1983.

Bicampeão da Minimaratona da Independência (83 e 84)

Vice-campeão sul-americano nos 5.000 e 10.000m (1984).

Campeão da Prova Pedestre 28 de Janeiro (1984).

 

 

Joaquim Cruz

(Taguatinga, DF, 12 de março de 1963)

Compleição: Peso: 77 kg Altura: 1,88 m

 

Joaquim Cruz

Joaquim Cruz

Foi um meio-fundista extraordinário.

Um notável corredor de 800m, tendo ficado à apenas 4 centésimos de segundos do recorde mundial. Em 1984, nas Olimpíadas de Los Angeles, ele se tornou o segundo atleta brasileiro a conquistar uma medalha de ouro no atletismo, 800m, feito apenas conseguido, até aquela data, pelo lendário Adhemar Ferreira da Silva.

Encerrou a carreira no Troféu Brasil de Atletismo em janeiro de 1997 no Rio de Janeiro. Atualmente é treinador e foi o técnico da equipe de atletismo dos Estados Unidos nos Jogos Parapan-americanos de 2007 no Rio de Janeiro e nos Jogos Paraolímpicos de 2008 em Pequim. Vive em San Diego, Califórnia, com a esposa e filhos.

Suas marcas nos 800 m e nos 1000 m (2′:14″.09 em Nice 1984) são recordes brasileiros e sul-americanos. Foi homenageado em selos postais da República da Costa do Marfim, Uganda e do Paraguai. Também tem nacionalidade americana. Foi o atleta brasileiro com a honra de acender a pira dos Jogos Pan-americanos de 2007 no Rio de Janeiro. O livro Joaquim Cruz – Estratégias de preparação psicológica: da prática à teoria, Editora Casa do Psicólogo, escrito por Kátia Rúbio, foi baseado em sua experiência de atleta.

 

 

José João da Silva

(Bezerros, 7 de setembro de 1955)

 

Jose João da Silva

Jose João da Silva

José João da Silva nasceu em Bezerros, no dia 7 de setembro de 1955. Ele é um atleta que figura entre os Heróis da São Silvestre.

Foi bicampeão da São Silvestre, em 1980, quando quebrou um jejum de 34 anos sem vitórias de brasileiros na prova. Naquele ano, a corrida contava com 8,900 km e foi concluída com o tempo de 23min40s30.

Em 1985 ele venceu novamente a São Silvestre com o tempo de 36min48s96, deixando Rolando Vera (aquele que seria tetra-campeão da prova) em segundo. Neste ano a prova contava com 12,6 km. Foi bicampeão da Meia-Maratona da Independência em 1980 e 1982.

Foi detentor, durante 16 anos, dos recordes brasileiros dos cinco mil metros, com 13min37s04 e dos dez mil metros, com 28min08s59.

Entre as suas principais conquistas estão:

Corrida Internacional de São Silvestre: 1980, 1985

Meia Maratona da Independência: 1980, 1982

Prova Internacional Strapescara (Pescara, Itália): 1984

 

 

José Luís Barbosa (Zequinha Barbosa)

(Três Lagoas, 27 de maio de 1961)

Compleição: Altura: 1,84

 

Zequinha Barbosa

Zequinha Barbosa

José Luís Barbosa, conhecido como Zequinha Barbosa, nasceu em Três Lagoas. Enfrentou a pobreza para se tornar um dos principais meio-fundistas do mundo.

Foi campeão mundial indoor dos 800 metros rasos em 1987, em Indianápolis (EUA). Também foi prata no Mundial de pista coberta em 1989, em Budapeste (Hungria).

Em pista aberta, foi bronze em Roma (Itália), em 1987, e prata em Tóquio (Japão), em 1991. Também participou de quatro jogos olímpicos.

Começou no atletismo em 1978 com 17 anos. Em Guarulhos, se juntou a uma das maiores equipes de atletismo do Brasil. Além de Agberto Guimarães e outros atletas, tinha o maior protagonista do esporte amador olímpico brasileiro: João Carlos de Oliveira, o João do Pulo.

Em 1983, Zequinha foi convidado para morar e treinar nos EUA, se juntando a Joaquim Cruz e Agberto Guimarães, disputando os jogos olímpicos de Los Angeles de 1984. Em 1988, participou das Jogos Olímpicos de Seul, onde correu 800m rasos ficando em sexto lugar. Participou nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992, conseguindo a quarta colocação nos 800m. Em 1996, participou nos Jogos Olímpicos de Atlanta.

Zequinha fez parte do período de ouro do meio fundo brasileiro e no mundo, se tornando um dos únicos atletas a participar de 4 olimpíadas, 9 campeonato mundiais e 3 jogos pan americanos, tornou se um dos maiores meio fundista no mundo, ficando rankeado entres os 10 melhores atletas do mundo por 9 anos consecutivos.

Foi o primeiro atleta da América latina, tirando atletas dos Estados Unidos, a ser tornar campeão do circuito mundial do grapix. Foi rankeado número 1 no mundo em 1991. Zequinha é terceiro atleta de mais consquistas de resultado da história dos 800 metros.

Suas melhores marcas foram nos mundiais, começando com o ouro no Mundial Indoor de 1987 e prata no Outdoor de Tóquio. Sua última grande conquista foi a medalha de ouro no Pan-Americano de Mar del Plata, em 1995.

 

José Telles da Conceição

(Rio de Janeiro, 23 de maio de 1931 — Rio de Janeiro, 18 de outubro de 1974)

Compleição: Peso: 74 kg Altura: 1,86 m

 

Jose Telles da Conceição

Jose Telles da Conceição

Foi um atleta eclético. Disputava várias provas e o salto em altura era apenas uma delas. Segundo seus companheiros da época, ele tinha tanto velocidade horizontal quanto vertical.

Fez história no atletismo brasileiro como o primeiro nome da modalidade a subir no pódio olímpico. Tal fato aconteceu em 20 de julho de 1952, nos Jogos de Helsinque, na Finlândia.

No dia da final, Telles saltou 1,98 m na primeira tentativa da série, garantindo o pódio e a primeira medalha olímpica brasileira.

O atletismo era diferente nos anos 50, até na técnica do salto em altura, feito de frente – as pernas iam antes do tronco, na ultrapassagem da barra.

José Telles, nascido em 23 de maio de 1931, tinha pouco mais de 21 anos quando ganhou a medalha de bronze na histórica capital finlandesa.

 

 

 

José Bento de Assis Junior

 

José Bento de Assis Jr.

José Bento de Assis Jr.

O Brasil sempre teve atletas de alto gabarito no salto em distância. Nos anos 40/50, José Bento de Assis Junior tornou-se recordista sul-americano com um salto de 7,55m.

 

 

 

 

 

Luis Carlos de Sousa

 

Luis Carlos de Souza

Luis Carlos de Souza

Foi um dos representantes brasileiros durante as Olimpíadas de Munique em 1972. Ele competiria no salto em distância, mas se contundiu e não pode disputar a prova. Na imagem, está ele quebrando o recorde brasileiro do salto em distância, com 8,08m, em 1975.

 

 

 

 

Luiz Gonzaga da Silva

 

Luis Gonzaga da Silva

Luis Gonzaga da Silva

Peixe, como era conhecido, foi um dos representantes do Brasil nas Olimpíadas de Munique de 1972, ocasião em que disputou os 100 e 200 metros rasos, onde alcançou as seguintes marcas: 100m: 10s63, 5º lugar na 3ª eliminatória. / 200m: 21s81, 5º lugar na 5ª eliminatória. Foi recordista brasileiro dos 100m com 10″2s.

 

 

 

 

 

Nelson Prudêncio

(Lins, 4 de abril de 1944 – São Carlos, 23 de novembro de 2012)

Compleição: Altura: 1,82

 

Nelson Prudencio

Nelson Prudencio

Ganhou prata e bronze olímpicos no triplo, bateu o recorde mundial. Duas vezes vice-campeão do PAN.

Mesmo sem ganhar ouro, deixou seu nome na história dos Jogos Pan-Americanos, em uma época em que eram raros os recursos do atletismo no País. Ganhou duas medalhas de prata, em Winnipeg 1967 e em Cáli 1971.

“Eram tempos diferentes, em que o atleta de ponta dependia basicamente do PAN e dos Jogos Olímpicos”, compara Prudêncio, vice-presidente da CBAt e doutor em atletismo pela Universidade de Campinas (Unicamp). “Em compensação, a longevidade do atleta era maior”, comenta.

 

 

Robson Caetano da Silva

(Rio de Janeiro, 4 de setembro de 1964)

Compleição: Peso: 82 kg Altura: 1m89

 

Robson Caetano

Robson Caetano

Dono de duas medalhas olímpicas, nos 100 e dos 200 m nos Jogos Pan-Americanos. Sem contar a medalha de bronze em Seoul 1988, nos 200m e no revezamento 4x100m em Atlanta, 1996, e a inúmeras provas internacionais que lhe consagraram com um dos melhores velocistas brasileiro, estando entre os oito mais rápidos do mundo.

Róbson escreveu também longa e bela história no esporte-base. Sua primeira presença em pódio de competição dessa envergadura se deu em Caracas 1983, aos 19 anos.

Foi campeão dos 200 m no Grand Prix da IAAF em 1989. Foi também tricampeão da prova na Copa do Mundo: Camberra 1985, Barcelona 1989 e Havana 1992. Ganhou a Universíade de Duisburgo 1989. Desde 1988 detém o atual recorde sul-americano dos 100 m, com 10.00, tempo de sua vitória no Campeonato Ibero-Americano do México 1988. Em 1989 marcou 19.96 no Meeting de Bruxelas, marca que foi recorde sul-americano por 10 anos.

Começou sua carreira em 1979 e a encerrou em 2001. Continua ligado ao esporte, atuando como comentarista.

Atualmente observa e descobre atletas com potencial para subir no pódio das grandes competições internacionais. 

 

 Ronaldo da Costa

(Descoberto, 7 de junho de 1970)

 

Ronaldo da Costa

Ronaldo da Costa

Atleta brasileiro. Um grande maratonista.

Caçula de 11 irmãos, venceu a edição de 1994 da Corrida de São Silvestre, se firmando como fundista. No ano seguinte, obteve a medalha de bronze nos Jogos Pan-americanos de 1995 em Mar del Plata nos 10.000 metros.

Nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996 também disputou os 10.000 metros, mas não passou da preliminar.

Em 1998, venceu a Maratona de Berlim, estabelecendo um novo recorde, que já durava quase 10 anos, com o tempo de 2h06m05s. Era apenas a segunda maratona que disputava. Trabalha na formação de jovens atletas. 

Melhores marcas:

3.000m: 7:59.34 – 1 de janeiro de 1998.

5.000m: 13:37.37 – 25 de junho de 1993.

10.000m: 28:07.73 – Richmond,1 de junho de 1996.

15 Km: 42:41 – Tampa, 26 de fevereiro de 1994.

Meia Maratona: 1h00:54 – Oslo, 24 de setembro de 1994.

Maratona: 2h06:05 – Berlim – 20 de setembro de 1998.

 

 

Sebastião Mendes

 

Sebastião Mendes

Sebastião Mendes

Tião Mendes, como era mais conhecido, foi um grande corredor brasileiro. Fez sua estreia na equipe do Flamengo em 1952 quando venceu a prova “Rústica do Horto Florestal”, se revelando um grande fundista.

Foi recordista brasileiro dos 3.000m com obstáculos por 14 anos com a marca de 9″01’8, conquistados nas Olimpíadas de Roma, em 1960.

Era absoluto nas corridas de longa distância no final da década de 50 e durante toda a década de 60, principalmente nas provas de 1.500 e 3.000 metros, ganhando inclusive corridas de 5.000 e 10.000 metros com muita raça da qual era dotado. De 1952 a 1970 conquistou inúmeras vitórias, levantando importantes títulos estaduais e nacionais.

No Pan de São Paulo em 1963, conquistou a prata na prova dos 3000m com obstáculos com o tempo de 9min 12,8 seg. No ano de 1989 teve a honra de receber a Medalhas de Mérito, concedida pela Confederação Brasileira de Atletismo.

 

 

Vanderlei Cordeiro de Lima

(Cruzeiro do Oeste, 4 de julho de 1968)

Compleição: 52 kg

 

Vanderlei Cordeiro de Lima

Vanderlei Cordeiro de Lima

É o único brasileiro a receber a Medalha Pierre de Coubertin, a mais alta distinção Olímpica, por sua humildade esportiva e por ter a atitude de não abandonar sua prova, mesmo sendo atrapalhado por fatores externos.

Tornou-se uma das celebridades dos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004 quando, após liderar a maratona até cerca do 36º quilômetro, foi atacado e derrubado por um fanático religioso irlandês, o ex-sacerdote Cornelius Horan.

Ajudado por alguns espectadores da corrida, retornou a prova e ainda conseguiu garantir a medalha de bronze, sendo aplaudido de pé quando entrou no estádio Panathinaiko.

Anteriormente a seu status de celebridade mundial com o ocorrido em Atenas, Vanderlei já era um atleta reconhecido de nível internacional, vencedor da Maratona de Tóquio no Japão em 1998 e bicampeão nos Jogos Pan-americanos de Winnipeg e Santo Domingo. No cenário brasileiro, entre outros triunfos, ele também foi bicampeão da famosa Volta Internacional da Pampulha, em Belo Horizonte, Minas Gerais, em 1999 e 2002.

Encerrou sua carreira em 31 de dezembro de 2008, fazendo seu tradicional aviãozinho, na Corrida de São Silvestre. 

 

Citius, Altius, Fortius. No esporte, especialmente no atletismo, todos desejam saber: – Quem se destacou! – Quem é o mais rápido? – Quem salta mais alto? – Quem é o mais forte?

Não será pretensão aqui, enumerar todos os atletas, olímpicos ou não. Entretanto, na galeria a seguir, estão elencados os principais destaques do atletismo internacional. O mérito dessa seção está simplesmente em agrupá-los, em um único local.

Confiram como o filho de um pastor de ovelhas do interior da Etiópia se tornou o maior maratonista de todos os tempos; o atleta que foi preso e acusado de assassinato; vejam a primeira fotografia clássica de uma maratona; conheçam o atleta que bateu vinte recordes mundiais entre os 5.000 a 20.000m. Ainda, a influência do racismo e do preconceito no esporte; as denúncias de doping numa Alemanha ainda dividida e a influencia da guerra fria.

Conheçam o atleta que transformou o salto em altura em uma forma de arte; o que perdeu e recuperou seus recordes milhares de vezes; o maratonista que incendiava as multidões como se fosse um astro do rock & roll; ou a atleta que, aos 17 anos, bateu o recorde mundial nos 5.000 metros, correndo descalça.

São histórias reais de vida! Leiam, apreciem, se emocionem e, principalmente, se inspirem!

 

Abebe Bikila

(Jato, 7 de agosto de 1932 – Adis Abeba, 23 de outubro de 1973)

Compleição: Peso: 57 kg Altura: 1,77m

Bikila foi um maratonista etíope, filho de um pastor de ovelhas do interior da Etiópia e capitão da Guarda Real do Imperador Hailé Selassié. Foi o primeiro homem a vencer duas maratonas olímpicas e é considerado por muitos especialistas como o maior maratonista de todos os tempos. Em 2012, foi imortalizado no Hall da Fama do atletismo, criado no mesmo ano como parte das celebrações pelo centenário da IAAF.

Em 1960, durante os jogos olímpicos de Roma, Bikila foi incluído na equipe de atletismo apenas no último momento, quando o avião já se preparava para partir para Roma, no lugar de outro atleta, Wami Biratu, que havia quebrado o tornozelo durante uma partida de futebol.

Abebe Bikila, correndo descalço.

Abebe Bikila, correndo descalço.

Segundo a história, a Adidas, patrocinadora oficial, tinha poucos pares de tênis disponíveis e nenhum deles deixava os pés de Bikila confortáveis. Ele então resolveu correr descalço. A prova contou com 69 participantes e pela primeira vez foi disputada à noite, com guardas italianos segurando tochas ao longo do caminho.

Ao fazer o reconhecimento do percurso, alguns dias antes, ele observou o obelisco de Axum, que tinha sido retirado da Etiópia por tropas italianas. O obelisco estava a 1,5 km da linha de chegada, bem no ponto em que o maratonista deveria dar a arrancada final. Bikila fez como havia planejado. Deu a arrancada final e cruzou a faixa de chegada, sob o Arco de Constantino, com o tempo de 2:15:16, recorde mundial, tornando-se o primeiro negro africano a ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos.

Bikila voltou à Etiópia como herói nacional. No ditado popular, a frase mais falada na época era que ‘foram necessários um milhão de soldados italianos para invadir a Etiópia, mas apenas um soldado etíope para conquistar Roma’. Ele foi promovido a cabo e condecorado pelo imperador Haile Selassie.

Pouco após os Jogos, uma tentativa militar de golpe de estado teve lugar no país, e Bikila, que nada entendia de política, foi obrigado a participar dele. Ele recusou-se a matar autoridades e quando o golpe foi derrotado, os principais envolvidos foram condenados à morte pela força. Bikila foi perdoado pelo imperador após os pedidos de várias pessoas que atestaram sua recusa em participar dos assassinatos. A imprensa do país declarou que ele “devia sua vida à sua medalha de ouro”.

Em 1961, ele disputou maratonas na Grécia, no Japão e em Kosice, na Tchecoslováquia, vencendo todas elas. Sem competir por mais de um ano e meio, em abril de 1963 ele entrou na Maratona de Boston chegando em quinto lugar, a única maratona que não venceu em sua carreira tendo terminado a prova. Depois dela, voltou para casa e só veio a competir novamente em 1964, numa maratona em Adis Abeba, que novamente venceu.

Bikila foi para Tóquio sem previsão oficial de participar da maratona, seis semanas após ser operado de urgência do apêndice. Desta vez calçado, por exigência dos organizadores. Ele entrou no estádio olímpico sob a vibração de setenta mil espectadores, com quatro minutos de vantagem para o segundo colocado. Estabeleceu um novo recorde mundial da maratona, com o tempo de 2:12.12, tornando-se o primeiro homem na história a vencer por duas vezes a maratona olímpica.

Para surpresa dos espectadores, após a corrida ele começou a fazer exercícios de alongamento no gramado central do estádio sem parecer cansado, declarando depois que achava poder correr ainda mais uns dez quilômetros. Na cerimônia de premiação, os organizadores japoneses esqueceram-se de providenciar as partituras com o hino da Etiópia. A banda aproveitou a oportunidade e tocou o hino japonês quanto Bikila recebeu sua medalha.

Em 1969, Bikila sofreu um acidente com o carro que ganhou do governo durante manifestações civis na capital, perdendo o controle e capotando num barranco. Retirado com vida, chegou a ser operado na Inglaterra. Entretanto, o acidente lhe deixou paralítico. Bikila morreu aos 41 anos, de hemorragia cerebral. Uma complicação neurológica decorrente de seu acidente quatro anos atrás. Uma multidão de 75 mil pessoas acompanhou o enterro de seu herói nacional e o Imperador Selassie declarou um dia de luto oficial na Etiópia.

 

 

Alberto Salazar

(Cuba, 7 de agosto de 1958)

 

Ex fundista norte-americano e tricampeão da Maratona de Nova York. Um dos melhores corredores do mundo em sua época. Possui em seu currículo a vitória na Maratona de Boston de 1982 – num dos mais memoráveis duelos na história desta corrida.

Também possui recordes norte-americanos nos 5.000 m e 10.000 metros, além de conquistar o título nacional de cross-country em 1978 e 1979 e ser vice-campeão mundial de cross-country em 1982.

Alberto Salazar

Alberto Salazar

Durante sua segunda vitória em Nova York, em 1981, Salazar quebrou o recorde mundial da maratona que já durava doze anos, fazendo a prova em 2:08:13. Entretanto, algum tempo depois se descobriu que aquele percurso tinha 150 metros a menos que a distância oficial de 42,195 km e sua marca foi anulada.

Perseguido por contusões e bronquite, em 1983 ele disputou a Maratona de Rotterdam, ficando na 5ª colocação, sua primeira derrota em maratonas. Voltou a correr em Fukuoka, ficando novamente em 5º lugar.

Conseguiu se qualificar para os Jogos de Los Angeles 1984, com um segundo lugar na prova seletiva americana. Naquele ano, conseguiu apenas o 15º lugar na maratona olímpica, apesar de ser um dos favoritos. A partir daí, sua forma declinou bruscamente, o que o levou a encerrar a carreira pouco tempo depois.

Nos anos seguintes, trabalhando para a Nike num projeto de tutoria de novos atletas de nível olímpico, obteve sucesso como treinador de corredores como Alan Webb, Mo Farah, Galen Rupp, Kara Goucher e Dathan Ritzenhein.

Em Londres 2012, dois de seus atletas, Farah e Rupp, conquistaram as medalha de ouro e prata nos 10.000 m e Farah ainda conquistou a de ouro nos 5.000 m, tornando-se o primeiro britânico campeão olímpico nas duas provas de longa distância em pista.

 

Carlos Alberto de Sousa Lopes (Carlos Lopes)

(Vildemoinhos, 18 de Fevereiro de 1947)

Compleição: Peso: 55 kg Altura: 1,67 m

 

Ex-atleta e campeão olímpico português, um dos melhores da sua geração. Referência mundial do atletismo de longa distância. Lopes sobressaiu tanto nas provas de pista, como nas de cross-country. Foi vencedor da Medalha Olímpica Nobre Guedes em 1973.

A corrida surgiu em sua vida ao acaso. Desde os 16 anos já se destacava nos campeonatos juniores de cross country. Em 1967 foi recrutado pelo Sporting Club de Portugal, onde começou a se profissionalizar.

Em 1976, Lopes ganha pela primeira vez o Campeonato do Mundial de Cross Country realizado m Chepstown, no País de Gales. Ele fez uma corrida demonstrando autoconfiança, resistência, sentido táctico e um bom sprint.

Carlos Sousa Lopes

Carlos Sousa Lopes

Lopes já havia estado nos Jogos de Munique em 1972, mas passou despercebido. Entretanto, foi uma das maiores esperanças portuguesas nos Jogos Olímpicos de Montreal de 1976. Ele foi o porta-bandeira de Portugal durante a cerimônia de abertura.

Na prova dos 10 000 m, Lopes forçou desde o início. Foi para o tudo ou nada. Nos 500 m finais, ele não estava só. Lasse Viren, da Finlândia, tinha sido o único a conseguir acompanhar Lopes. Nos últimos metros, Viren atacou forte, ultrapassou Lopes e ganhou a medalha de ouro. Lopes foi segundo e teve de se contentar com a prata. O finlandês ganhou também o ouro nos 5 000 m. Era a primeira vez que Portugal conquistava uma medalha olímpica no atletismo.

Em 12 de Agosto, Carlos Lopes venceu a maratona nos Jogos de 1984, tornando-se o primeiro português a conquistar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. A prova foi rápida, e a marca atingida (2h9m21s) foi recorde olímpico até aos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.

 

 

Degaga Wolde (‘Mamo’ Wolde)

(Diri Jille, 12 de junho de 1932 – Adis Abeba, 26 de maio de 2002)

Compleição: Peso: 54 kg Altura: 1,70m

 

Mamo Wolde foi um fundista etíope, campeão olímpico da maratona dos Jogos Olímpicos da Cidade do México em 1968, ocasião que conquistou também a medalha de prata nos 10000 m.

Nascido numa pequena vila etíope, Wolde foi para a capital Adis Abeba em 1951, alistar-se na Guarda Imperial etíope. Em 1953 serviu nas forças internacionais de paz na Coréia.

Mamo Wolde

Mamo Wolde

Sua primeira participação em Jogos Olímpicos foi em 1956, em Melbourne, Austrália. Ele correu os 800 m, 1500 m e o revezamento 4×400 m, sem conseguir maior sucesso. Em 1960 não participou dos Jogos. A partir daí se dedicou às corridas mais longas.

Em 1964, em Tóquio, Wolde chegou em quarto lugar nos 10000 m e assistiu seu compatriota e companheiro de Guarda Imperial Abebe Bikila tornar-se pela campeão olímpico da maratona pela segunda vez. Em 1968, depois de conquistar uma medalha de prata nos 10000 m, Wolde se tornou o segundo etíope a vencer a maratona olímpica, correndo no ar rarefeito da Cidade do México.

Nos Jogos de 1972, em Munique, Wolde ganhou a medalha de bronze na maratona, aos quarenta anos de idade. Apesar de reclamar depois de ter sido prejudicado pelos tênis de corrida, impostos pela direção de sua equipe e apertados demais em seus pés – mesmo problema de Bikila em 1960, que o fez correr descalço na época  e o impediu de vencer a prova. Wolde se tornou o segundo homem após Bikila a conquistar duas medalhas seguidas na maratona olímpica.

Em 1993, numa Etiópia em crise política, Wolde foi preso e acusado de assassinato. Foi julgado e condenado a seis anos, mas passou nove anos na prisão. Morreu, logo após ter sido libertado, no começo de 2002 de uma doença desconhecida aos 69 anos de idade. Foi enterrado ao lado de seu amigo, superior militar e inspirador Abebe Bikila. O seu féretro até o cemitério foi acompanhado por milhares de etíopes, como uma guarda de honra civil.

 

 

Dorando Pietri

(Mandrio, 16 de outubro de 1885 – San Remo, 7 de fevereiro de 1942)

Compleição: Peso 60 kg

 

Foi um maratonista italiano que, nos Jogos Olímpicos de 1908 em Londres, protagonizou um dos mais dramáticos momentos da história olímpica.

Dorando Petri e seu troféu.

Dorando Petri e seu troféu.

Após liderar os últimos quilômetros da maratona, ele chegou ao Estádio Olímpico de White City completamente exaurido e desorientado, caindo ao chão da pista de atletismo por diversas vezes. Próximo da chegada e do desfalecimento completo, Dorando, que levou cerca de dez minutos para completar os últimos 400 m da volta na pista, foi ajudado pelos fiscais a cruzar a linha de chegada. Acabou sendo mais tarde desclassificado em prol do norte-americano Johnny Hayes, que chegou na segunda posição sem nenhuma ajuda. Dorando foi posteriormente reconhecido como um herói olímpico, e recebeu um troféu de consolação por seu esforço das mãos da própria Rainha da Inglaterra.

A imagem de sua chegada, ajudado pelos fiscais, é considerada um ícone dos primórdios da fotografia e a primeira grande foto clássica dos esportes, especialmente da maratona, e que ajudou a dar uma grande carga dramática à lendária e desgastante prova. Foi o primeiro dos grandes heróis “não-campeões” da história olímpica que ajudariam a escrever a dramaticidade da mais longa prova do atletismo. Só oitenta anos depois um italiano conquistaria a medalha de ouro na maratona para a Itália – Gelindo Bordin em Seul 88 – e a dedicaria à memória de Dorando Pietri.

Chegada de Dorando Petri.

Chegada de Dorando Petri.

Fatos semelhantes ocorreram setenta anos depois. A maratonista suíça Gabriela Andersen-Scheiss, emocionou o mundo ao se arrastar até a linha de chegada da primeira maratona feminina em Los Angeles 1984. O brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima foi derrubado e arrastado para fora da pista por um fanático religioso, quando liderava a prova a menos de seis quilómetros da chegada, nos Jogos de Atenas 2004, conseguindo mesmo assim conquistar a medalha de bronze. Apesar de não terem ganhado o ouro olimpico, Dorando, Gabriela e Vanderlei tornaram-se mais famosos e recordados que a maioria dos campeões olímpicos de qualquer esporte ou modalidade.

Após as Olimpíadas, Dorando e Johnny Hayes, que herdou a medalha de ouro do italiano, enfrentaram-se em duas corridas em Nova Iorque. Dorando venceu as duas. Ele foi transformado numa grande celebridade internacional, tendo uma canção feita com seu nome pelo compositor Irving Berlin e fez uma grande turnê de corridas nos Estados Unidos, ganhando 17 das 22 provas que disputou no país. Sua última maratona foi disputada em 1910 na América do Sul, onde conseguiu seu melhor tempo para a prova (2h38m) em Buenos Aires, Argentina.

 

 

Emil Zátopek

(Kopřivnice, 19 de Setembro de 1922 — Praga, 22 de Novembro de 2000)

Compleição: Peso: 72 kg Altura: 1,82m

 

Zatopek foi um atleta Tcheco. Em 2012, foi imortalizado no Hall da Fama do atletismo, criado no mesmo ano como parte das celebrações pelo centenário da IAAF. Sexto filho de uma família pobre tornou-se um dos maiores nomes do atletismo em todos os tempos e recebeu o apelido de “Locomotiva de Praga” ou “Locomotiva Humana!”. Foi o único homem a vencer os 5000 metros, 10000 metros e a maratona numa mesma Olimpíada. O feito aconteceu nos Jogos de 1952, em Helsinque, na Finlândia.

Ele já havia participado da Olimpíada de Londres de 1948, quando conquistou o ouro nos 10.000 m e a prata nos 5.000 m. Mas foi em Helsinque, aos trinta anos de idade, que conseguiu sua façanha gloriosa: venceu os 10.000 m com o novo recorde olímpico de 29:17. Quatro dias depois, conquistou a medalha de ouro nos 5.000 m com 14:06. E três dias depois, enfrentava a maratona no que era a sua primeira experiência na distância. Como era “calouro”, Zatopek resolveu acompanhar os “especialistas” e acabou vencendo com o novo recorde olímpico de 2:23:04.

Emil Zatopek

Emil Zatopek

Ao todo, Zatopek bateu vinte recordes mundiais em distâncias variando de 5.000 m a 30.000 m. Em 1951 tornou-se o primeiro homem a cobrir 20 km em uma hora (20.052 m). Ainda participou da maratona dos Jogos de 1956, apenas 45 dias depois de se submeter a uma cirurgia de hérnia. Apesar da recomendação para  ficar dois meses sem correr, Zatopek completou a maratona em sexto lugar.

Zatopek foi casado com uma atleta Tcheca, de lançamento do dardo. Trata-se de Dana Zatopkova, que nasceu no mesmo dia, mês e ano que ele e, também, foi campeã olímpica. Na tradição tcheca não se permitia o casamento se a mulher fosse mais velha que o homem, mas Zatopek conseguiu provar que Dana era mais nova que ele algumas horas.

A expressão de agonia fez de Zatopek uma figura curiosa, mas o destaque foram suas conquistas colossais: 16 recordes mundiais, dos 5.000m aos 25.000m, e quatro ouros olímpicos. Inteiramente autotreinado, ele levou as cargas de treinamento além de seus limites.

Em 1953 Zatopec veio ao Brasil para participar da Corrida de São Silvestre. O corredor tcheco venceu com facilidade sob os aplausos de todos os espectadores. Zatopek é uma referência no treinamento desportivo (no período pré-cientifico) por utilizar estratégias nunca antes vistas. Ele utilizou o “interval training” pela primeira vez, fornecendo bases empíricas para as futuras pesquisas cientificas sobre esse método.

 

Frank Charles Shorter (Frank Shorter)

(Munique, 31 de outubro de 1947)

Compleição: Peso: 61 kg Altura: 1,78m

 

Ex-atleta norte-americano. Corredor de longa distância e campeão da maratona nos Jogos Olímpicos de Munique em 1972. Shorter, filho de militar, nasceu na Alemanha.

Mudou-se para os Estados Unidos ainda na infância. Talentoso para as corridas desde a adolescência. Conquistou diversos títulos nos 5.000 e 10.000 m em pista, entre o fim dos anos 1960 e o começo da década seguinte. Foi campeão americano de cross-country quatro vezes consecutivas entre 1970 e 1973, classificando-se para disputar as Olimpíadas nos 10.000 m e na maratona de 1972 e 1976.

Frank Shorter

Frank Shorter

Shorter venceu duas provas nos Jogos Pan-americanos de 1971 em Cali, na Colômbia e conquistou um tetracampeonato na tradicional Maratona de Fukuoka no Japão, entre 1971 e 1974, o único a conseguir isto até os dias de hoje.

Seu grande momento aconteceu nos Jogos Olímpicos de 1972, realizados na mesma cidade onde nasceu e de onde saiu criança. Cinco dias depois de conseguir um quinto lugar na dura prova dos 10.000 m, ele conquistou a medalha de ouro na maratona, 64 anos após o último norte-americano ter vencido esta prova em Olimpíadas.

O episódio o transformou no grande vitorioso da delegação de atletismo de seu país naqueles Jogos, que foram frustrantes para os americanos. Os soviéticos venceram por larga margem, num dos momentos mais conturbados da Guerra Fria, com o seqüestro e morte de atletas israelenses por comandos palestinos em plena vila olímpica, no que ficou conhecido como Massacre de Munique.

A vitória de Shorter o transformou numa grande celebridade nacional pelo fascínio que a lendária prova provocava. Ele foi o responsável pela explosão do interesse do americano médio em participar de corridas de rua na década de 70 – o chamado running boom – que também contagiou o mundo todo a partir dos anos 1980.

Shorter também competiu no Brasil em seu auge como atleta, vencendo a Corrida de São Silvestre, disputada na cidade de São Paulo, em 1970, um dos dois únicos norte-americanos a conseguir isto. O outro foi Herb Lindsay, em 1979.

 

 Fred Lebow

(3 de junho de 1932 – 9 de outubro de 1994)

 

Seu nome de registro é Fischel Lebowitz, era um corredor ávido. Fundou a Maratona de Nova York. Nasceu na cidade de Arad, na Romenia. Presidiu e transformou uma corrida com 55 finalistas em 1970 para uma das maiores maratonas do mundo com mais de 43.660 finalistas em 2009. Foi postumamente introduzido na lista da “National Distance Running Hall of Fame” em 2001.

Fred Lebow

Fred Lebow

Lebow correu na maratona inaugural de Nova York em 1970, terminando no 45º lugar de um total de 55 corredores, com o tempo de 4:12:09. A sua última Maratona de Nova York em 1 de novembro de 1992, em comemoração ao seu aniversário de 60 anos, após ser diagnosticado com câncer no cérebro no início de 1990, com sua amiga Grete Waitz, que foi 9 vezes campeã feminina na Maratona de Nova York.

Durante sua carreira, ele completou 69 maratonas em 30 países. Junto com a Maratona de Nova York, ele também organizou o “Empire State Building Run Up”, a “Fifth Avenue Mile”, e a “Crazy Legs Mini Marathon”, a primeira prova estritamente feminina. Lebow também foi presidente da “New York Road Runners Club” por vinte anos. Também criou o “Fred’s Friends” a primeira associação oficial de caridade da Maratona de Nova York. O programa solicita aos corredores de maratona para arrecadarem fundos para pesquisa do câncer.

Seu serviço memorial na linha de chegada da Maratona de Nova York reuniu uma multidão de 3.000 pessoas que foi, na época, a maior reunião memorial no Central Park desde a morte de John Lennon.

Em homenagem a Lebow, uma escultura dele foi criada por Jesus Ygnacio Dominguez . Inaugurada em 4 de novembro de 1994, que retrata Lebow marcando o tempo dos corredores com o relógio. Em 2001, a estátua foi transferida para sua sede permanente no East Side Central Park Drive at 90th St. Every year, no entanto, a estátua é movida de local a local tendo em vista da linha de chegada da Maratona.

Lebow inspirou toda uma geração, especialmente em uma época conturbada, onde poucas pessoas corriam pelas ruas do Bronx. Sua grande contribuição foi ter ajudado a criar um clima de mudança em um esporte previamente considerado amador. Seus feitos podem ser conferidos no filme “Run for yor Life“.

 

 Gabrielle Andersen-Schiess

(20 de março, 1945, Suiça)

 

Gabrielle Andersen, maratonista suíça, foi mais uma atleta que ganhou fama sem ter conquistado algum título importante.

Chegada de Gabrielle Schiess durante a Maratona Olímpica de Los Angeles.

Chegada de Gabrielle Schiess durante a Maratona Olímpica de Los Angeles.

Nos Jogos Olímpicos de Verão de 1984 realizado em Los Angeles, durante a maratona feminina, conquistada pela norte-americana Joan Benoit, Gabrielle, completamente desidratada e desorientada pelo esforço realizado no calor, além de estar com uma forte cãibra na perna esquerda, cambaleou nos últimos 200 metros da maratona levando 10 minutos para completá-los até cair desacordada nos braços dos médicos sobre a linha de chegada. A imagem de sua chegada percorreu o mundo, tornando-a famosa.

Ela entrou na pista do estádio 29 minutos depois que Benoit havia chegado. O público todo ficou estarrecido ao ver a imagem daquela mulher se arrastando. Ela mal conseguia caminhar. Os paramédicos bem que tentaram socorrê-la, mas ela recusou, pois sabia que se eles o fizessem, ela seria desclassificada. Ela se arrastou pelos 400 metros finais da pista sob uma forte torcida e aplauso do público presente.

Após a prova ela disse aos jornalistas que queria concluir o percurso da corrida, pois aquela talvez fosse sua única oportunidade olímpica devido aos seus trinta e nove anos. Ela ainda conseguiu chegar na 37º colocação entre 44 corredoras.

 

Grete Andersen (Grete Waitz)

(Oslo, 1 de outubro de 1953 – 19 de abril de 2011)

Compleição: Peso: 54 kg Altura: 1,72 m

 

Foi uma das melhores maratonistas do mundo, nove vezes campeã da Maratona de Nova York, campeã mundial em Helsinque 1983, vice-campeã olímpica em Los Angeles 1984 e quatro vezes recordista mundial da prova.

Ela começou no atletismo internacional em provas de meio-fundo, correndo os 1500 metros nos Jogos Olímpicos de Munique, aos 19 anos, em 1972, depois de se tornar várias vezes campeã nacional juvenil da Noruega nos 800 metros e 1500 m. Em 1975, quebrou o recorde mundial adulto dos 3000 metros, com a marca de 8:46.6, em Oslo, marca que abaixou novamente no ano seguinte para 8:45.4.1

Grete Waitz

Grete Waitz

No final da década de 70, disputou sua primeira maratona em Nova York, 1978, vencendo a corrida e quebrando em dois minutos o recorde mundial então vigente da alemã-ocidental Christa Vahlensieck. Ela estreou em Nova Iorque em 1978 porque seu marido achou que seria uma boa desculpa para visitar a cidade. Até então, ela nunca havia corrido mais do que 19 km, mas venceu com um recorde mundial de 2h32m30s. Como a maioria dos corredores de maratona de primeira viagem, ela protestou, dizendo: “Nunca mais”, mas o primeiro passo já havia sido dado.

Ela também foi primeira mulher a baixar da marca de 2h30min no ano seguinte, iniciando um domínio que duraria por vários anos na maratona feminina. Venceu mais oito vezes em Nova York e a Maratona de Londres por duas vezes. Em 1983, conquistou a medalha de ouro no primeiro Campeonato Mundial de Atletismo, disputado em Helsinque, na Finlândia.

Favorita destacada à medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, depois do boicote feito pela Noruega aos Jogos de Moscou em 1980, Grete viu a medalha escapar com a vitória da norte-americana e amiga Joan Benoit, conquistando a medalha de prata, na única maratona que não venceu enquanto esteve no auge de sua carreira. Em 1988 competiria novamente, em Seul 1988, mas já então sofrendo de várias contusões no joelho, teve que abandonar a corrida.

Após abandonar o atletismo de alto nível, Grete se dedicou a promover corridas femininas em todo o mundo e participou de seminários esportivos e sobre saúde. Heroína nacional de seu país tem uma estátua na entrada do estádio de atletismo de Bislett, o mais famoso de Oslo e palco da quebra de diversos recordes internacionais. Ela também já foi estampada em diversos selos.

Em novembro de 2008, ela foi condecorada pelo rei Harald V com a Real Ordem Norueguesa de Santo Olavo, Primeira Classe, por sua carreira e por ser um importante modelo para outros atletas. Grete Waitz morreu em 19 de abril de 2011, aos 57 anos, vítima de um câncer. Foi enterrada com honras de estado, a sexta mulher na história da Noruega a obter essa honraria.

 

Heike Gabriela Daute (Heike Drechsler)

(Gera, 16 de dezembro de 1964)

Compleição: Peso: 68 kg Altura: 1,80m

 

Heike Drechsler foi atleta da Alemanha, duas vezes campeã olímpica. A única a conquistar duas medalhas de ouro em salto em distância. Foi por duas vezes recordista mundial nesta modalidade em 1985 e 1986.

Com 1,82 m de altura, além de saltadora era velocista, competindo pela antiga Alemanha Oriental e pela Alemanha reunificada após a Queda do Muro de Berlim em 1989, e ganhou várias medalhas em campeonatos europeus, mundiais e olímpicos nos 100 e 200 m rasos, igualando por duas vezes o recorde mundial dos 200 m de Marita Koch em 1986. Nos anos 80 e 90, sua maior adversária e grande amiga foi a norte-americana Jackie Joyner-Kersee.

Heick Drechler

Heick Drechler

A distância máxima possível de ser marcada nas competições femininas de classe mundial é de 7 metros, distância que somente Dreschler, dentre todas as atletas, foi capaz de atingir em condições legais (com vento abaixo de 2 metros por segundo e ao nível do mar). Anda assim, ela atingiu os 7 metros, ou mais, mais de 400 vezes.

Rápida e versátil, ela dividiu o recorde mundial dos 200m com Florence Griffith Joyner, com um tempo de 21″71 e, em 1994, tendo disputado o heptatlo desde os 16 anos, ela chegou ao topo do ranking mundial. Heike Drechsler encerrou a sua carreira em outubro de 2004, aos 37 anos.

A história de Drechsler seria de total sucesso se não fosse uma mancha em sua carreira. Assim como praticamente todos os grandes atletas da antiga Alemanha Oriental, ela também esteve envolvida em denúncias de dopagem, que era praticamente uma política esportiva de estado das autoridades desportivas daquele país nos anos de 1970 e 1980, com o uso inclusive de esteróides anabolizantes ministrados oralmente e do hormônimo testosterona.

A princípio, Dreschsler tratou desse assunto como calúnia. Em entrevista com a revista Stern em 2008 ela acrescentou que não pode excluir a possibilidade de na época ser tratada involuntariamente com substâncias ilegais sem seu conhecimento por médicos que acompanharam a atleta naquele tempo.

 

 Henry Rono

(12 de fevereiro de 1952 em Kapsabet, Quênia)

 

Começou a correr na escola primária. Em 1976, estudou na Universidade Estadual de Washington, junto ao seu compatriota Samson Kimbwa, que quebrou o recorde mundial nos 10.000 metros em 1977. Nesse período foi treinado por John Chaplin. Um número maior de corredores quenianos passaram por lá, incluindo Bernard Lagat, Mike Kosgei e Patrick Muturi.

Ainda na Universidade, Rono tornou-se a primeira pessoa na história, após Gerry Lindgren e Steve Prefontaine, a ganhar o Campeonato Cross Coutry masculino NCCAA por três vezes (1976, 1977 e 1979). Seu tempo de 28:07, alcançado em 1976  é a marca mais rápida da história nos 10.000 metros deste campeonato, apesar de que Galen Rupp, fez 27:41 no mesmo campeonato em um percurso que posteriormente foi reconhecido por ser 80 metros menor do que a medida regular. Rono também foi campeão de corrida com barreiras em 1978 e 1979. Em 1977 também foi campeão nos 3.000 metros no campeonato indoor da NCAA.

Henry Rono

Henry Rono

O auge de sua carreira como atleta foi em 1978. Num período de apenas 81 dias, ele quebrou quatro recordes mundiais: os 10.000 metros (27:22.5), os 5.000 metros (13:08.4), os 3.000 metros com barreiras (8:05.4) e os 3.000 metros (7:32.1). Um feito sem precedentes na história da corrida de longa distância. Ele diminuiu em 8 segundos o recorde nos 10.000 metros e 4.5 segundos nos 5.000 metros.

No mesmo ano, ele ainda ganhou a medalha de ouro nos 5.000 e 3.000 metros com barreira nos jogos da Commonwealth.

Apesar de não ter sido mais tão rápido como havia sido em 1978, Rono continuou a correr e a competir no mesmo nível por mais quatro anos, fazendo os 5.000 metros mais rápidos do ano (13:19) e ganhando o campeonato cross crountry em 1979, correndo os 10.000 metros mais rápidos em 1989 (27:31.68).  Correu o terceiro melhor tempo da história dos 5.000 metros em 1981 (13:08.9), assim como por duas vezes aproximou de seu próprio recorde nos 10.000 metros em 1982, correndo abaixo de 27:30.

Sabe-se que, depois que seu filho morreu de câncer, ele passou a beber demais, perdendo aviões e deixando os promotores na mão. As 100 mil libras ganhas em seu glorioso verão esvaíram-se completamente.

Rono oscilava entre crises de alcoolismo nas ruas de Nova Iorque quando não tinha nem onde dormir, e os centros de reabilitação para alcoólatras, chegando a passar alguns dias na cadeia quando o Quênia virou-lhe as costas. Felizmente, ele encontrou a paz desde então, vivendo nos EUA, onde compete em eventos para atletas acima de 50 anos.

Atualmente, Rono treina atletas para alunos do colegial em Albuquerque, no Novo Médico. Também deseja concluir um curso superior. Após completar 55 anos, Rono tenta quebrar o recorde mundial da corrida de milha para a sua faixa etária de 55 a 59 anos. Ele também escreveu sua própria auto-biografia, chamada “Sonho Olímpico” em 2007.

 

Herbert Henry McKenley (Herb McKenley)

(Clarendon, 10 de julho de 1922 – Kingston, 26 de novembro de 2007)

 

Herb McKenley, como ficou conhecido, foi um atleta velocista e campeão olímpico jamaicano. Filho de médicos, conseguiu uma bolsa de estudos nos EUA em 1942.

Herb Mckenley

Herb Mckenley

Entre 1946 e 1948, já era aluno da Universidade de Illinois, onde foi campeão nas distâncias entre os 200 m e as 440 jardas das duas principais associações atléticas amadoras dos Estados Unidos, e em 1947 fez o melhor tempo do ano no mundo para as três corridas de velocidade, 100 m (10s3), 200 m (20s4) e 400 m (46s2).

Em 1948, pouco antes de Jogos Olímpicos de Londres, McKenley quebrou o recorde mundial das 440 jardas, com a marca de 46s0, e um mês depois conquistou outro, 45s9, para os 400 m. Foi o único atleta na história a ter disputado as finais olímpicas das três provas de velocidade – 100 m, 200 m e 400 m. Nos Jogos Pan-Americanos, realizados em Buenos Aires em 1951, conseguiu a proeza de conquistar a medalha de bronze em todas as três provas, feito nunca mais igualado.

Seu título olímpico e único ouro da carreira veio no revezamento 4×400 m, em que a equipe jamaicana, formada por ele, Wint, Rhoden e Leslie Laing, quebrou o recorde olímpico e mundial da prova com 3m03s9. Nesta prova, ele fez a sua ‘perna’ dos 400 m em 44s6, que durante 20 anos foi o mais rápido tempo já corrido pelo homem na distância dos 400 metros.

Após se retirar das pistas, trabalhou como técnico da equipe jamaicana de atletismo entre 1954 e 1973 e também ocupou o cargo de presidente da Associação Atlética Amadora da Jamaica. Pelos serviços prestados ao esporte, foi condecorado em 2004 com a Ordem do Mérito da Jamaica. Considerado o “Pai” do atletismo jamaicano, está enterrado no National Heroes Park em Kingston, capital do país.

 

Ingrid Kristiansen

(Trondheim, 21 de março de 1956)

Compleição: 60 kg

 

Ex-fundista norueguesa e uma das melhores corredoras do mundo nos anos 80. Vencedora de várias maratonas, recordista e campeã mundial em diversas modalidades do atletismo, em pistas, estradas e cross-country.

Kristiansen era considerada a “Zatopek” das corridas femininas. Dona de um estilo inconfundível, ela também tinha a capacidade de derrubar limites. Foi a primeira atleta a conseguir títulos mundiais nas três modalidades e ao mesmo tempo. Junto com Grete Waitz, foi responsável pela formação de uma nova geração de atletas entre os jovens da Noruega.

Ingrid Kristiansen

Ingrid Kristiansen

Ela começou a correr maratonas em 1977, mas, ganhou projeção mundial em 1984 quando venceu a Maratona de Londes econseguiu estabelecer dois recordes mundiais nas pistas de atletismo, para os 5.000 (14m58s) e 10.000 m (30m59s). Em 1985 ela voltou a vencer a Maratona de Londres, com nova marca mundial (2:21.05), recorde que permaneceu por treze anos.

O ano de 1986 foi o melhor ano de Kristiansen. Ela quebrou os próprios recordes nos 10.000 m (30m13s) e 5.000 m (14m37s). Em abril venceu a Maratona de Boston e em setembro a de Chicago, encerrando a temporada com a medalha de ouro nos 10.000 m do Campeonato Europeu de Atletismo, em Stuttgart, com a segunda melhor marca mundial (30m23s), inferior apenas ao seu próprio recorde.

Em 1987, apesar de lesionada, conseguiu a medalha de ouro dos 10.000 m do Campeonato Mundial de Atletismo, em Roma. Em abril de 1988 venceu a Maratona de Londres pela quarta vez, sendo a maior vencedora entre homens e mulheres até hoje. Não conseguiu competir em Seul em 1988 devido a uma fratura no pé.

Em 1989 venceu a Maratona de Boston em abril e, a de Nova York, em novembro. Ela se retirou gradativamente do esporte até se aposentar completamente em 1993.

 

James Cleveland Owens (“Jesse” Owens)

(Oakville, 12 de setembro de 1913 – Tucson, 31 de março de 1980)

Compleição: Peso: 71 kg Altura: 1,78 m

 

“Jesse” Owens foi um atleta e líder civil norte-americano. Participou dos Jogos Olímpicos de Verão de 1936 em Berlim, Alemanha, onde se tornou conhecido mundialmente por ganhar quatro medalhas de ouro nos 100 e 200 m rasos, no salto em distância e no revezamento 4×100 m. Em 2012, foi imortalizado no Hall da Fama do atletismo, criado no mesmo ano como parte das celebrações pelo centenário da IAAF.

Jesse Owens

Jesse Owens

Antes de começar a sua saga, nos Jogos Olímpicos de Berlin, Cornelius Johnson, outro atleta negro, ganhou a medalha de ouro no salto em altura. Hitler que até então tinha apenas apertado a mão de um atleta finlandês e outro alemão, retirou-se do estádio logo no primeiro dia, após ser alertado pelo Comitê Olímpico Internacional de que teria de cumprimentar todos os vencedores ou nenhum destes.

Daí em diante entrava em cena Jesse Owens, que venceu os 100 m e 200 m rasos, revezamento de 400 m e salto em distância. Quando Owens venceu a prova dos 200 m ele mirou seus olhos para o COI e não para a tribuna de Hitler, pois Hitler estava ausente no dia. Jesse Owens foi aclamado por milhares de torcedores de diversas nações naquele dia, juntamente com o alemão Lutz Long, que terminou a prova em segundo lugar. Os EUA conseguiram vencer dez provas de atletismo. Destas, seis medalhas de ouro foram conseguidas com a participação de quatro negros.

A maior conquista de Owens foi não se contrapor ao regime hitlerista, mas sim abalar a noção racista da nação americana no século XX, como ele mesmo deixou bem claro em sua biografia. Ele declarou que o que mais o magoou não foram as atitudes de Hitler, mas o fato do presidente americano Franklin Roosevelt não ter lhe mandado sequer um telegrama felicitando-o por suas conquistas na olimpíada. Owens teria dito mais tarde: “É verdade que Hitler não me cumprimentou, mas também nunca fui convidado para almoçar na Casa Branca.”

 

 Javier Sotomayor

(Matanzas, 13 de outubro de 1967)

Compleição: Peso: 82 kg Altura: 1,95m

 

Foi um atleta cubano especialista em salto em altura. Considerado um dos maiores saltadores de todos os tempos. Campeão dos jogos olímpicos de 1992 e vice-campeão nos Jogos de Sydney. Também foi campeão mundial de atletismo em 1993 e em 1997. Foi medalha de prata em 1991 e em 1995. Foi campeão em três edições dos Jogos Pan-americanos e em outras três dos Jogos Centroamericanos e do Caribe. O seu número de medalhas poderia ter sido maior se Cuba tivesse participado das olimpíadas de 1984 e 1988.

Javier Soto Mayor

Javier Soto Mayor

É o atual recordista mundial da prova, detendo os recordes outdoor (ao ar livre) com 2m45, obtido em 27 de fevereiro de 1993 e indoor (pistas cobertas) com 2m43, obtido em 4 de março de 1989.

Soto Mayor era dono de uma majestosa graça. Com excelente forma física, pesando de 82 kg e com 1,94m fizeram com que ele transformasse a modalidade em uma forma de arte. “Seu corpo sobe em uma linha reta, como se deslizasse”, observou certa vez seu rival britânico Steve Smith.

Em 1999, Soto Mayor sofreu uma grande desilusão de sua carreira: é suspenso por dois anos de participar de competições, pois análises antidoping, durante os Jogos Pan-americanos de 1999, acusaram a presença de cocaína. Encerrou sua carreira aos 34 anos. Em 1993, recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias.

Veja mais em http://www.youtube.com/watch?v=rOWoz8u1oMU

 

Joan Benoit Samuelson

(Cape Elizabeth, 16 de maio de 1957)

Compleição: Altura: 1,57 m Peso: 45 kg

 

Ex-atleta norte-americana. Primeira campeã olímpica da maratona nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984.

Benoit começou a correr longas distâncias como forma de recuperar-se de um acidente com esqui onde fraturou a perna. Tornou-se conhecida em 1979 quando venceu a Maratona de Boston. No início dos anos 1980 teve alguns problemas de lesão, tendo inclusive que operar o tendão de Aquiles.

Recuperada, venceu em 1982 a Maratona de Eugene, no Oregon, com 2h26min11s, melhor marca daquele ano. Durante a Maratona de Boston, em 1983, causou frisson ao quebrar o recorde mundial da maratona com um tempo de 2h22min43s.2 Ainda em 1983 participou dos Jogos Pan-americanos de Caracas, ganhando a medalha de ouro nos 3000 metros.

Joan Benoit

Joan Benoit

A maratona feminina foi incorporada pela primeira vez em 1984, em Los Angeles. Durante a prova, Benoit surpreendeu quando se desgarrou do primeiro pelotão desde o início, impondo um forte ritmo que muitos acreditaram parecer suicida devido ao forte calor e umidade. Porém ela superou as adversidades e venceu a prova com mais de um minuto de vantagem sobre a segunda colocada, tornando-se um dos destaques dos Jogos.

Em 1985 conseguiu a melhor marca de sua carreira, 2h 21min 21, na Maratona de Chicago, que só não se tornou recorde mundial porque pouco antes a norueguesa Ingrid Kristiansen tinha marcado 2h21min06s na Maratona de Londres.

Após 1985 as lesões atormentaram a vida de Benoit, mas isso não a impediu de seguir competindo: em 1991 foi quarta na Maratona de Boston, em 1992 ganhou a maratona de Columbus e em 1996 participou da prova de classificação para os Jogos de Atlanta.

Com o encerramento da carreira escreveu alguns livros sobre atletismo, trabalhou como treinadora em provas de cross-country e de longa distância e como comentarista para alguns meios de comunicação. Atualmente vive com sua família em Freeport, no Maine.

 

John Adelbert Kelley (“Johnny” Kelley)

(6 de setembro de 1907 – 06 de outubro de 2004)

 

Foi um corredor americano de longa distância que representou seu país duas ezes nos Jogos Olímpicos de Verão, em 1936 e 1948. Ele não chegou a vencer sua primeira Maratona de Boston em 1928, mas possui um recorde de ter participado de 61 edições deste grande evento do atletismo mundial.

Jonny Kelley

Jonny Kelley

Uma lenda da maratona, Kelley ganhou a Maratona de Boston durante os anos de 1934 e 1945. Chegou em segundo lugar por sete vezes. Entre 1934 a 1950, foi top 5 por quinze edições da Maratona de Boston, correndo consistentemente. Sua última participação na Maratona de Boston foi com a idade de 84 anos. Foi a sua 61ª largada e 58ª chegada. Por dois ou mais anos ele percorreu as últimas sete milhas da prova. Kelley também correu a Maratona de Yonkers por 29 vezes.

Como membro do time olímpico americano durante as Olimpíadas de Berlin, ele se classificou em 18º lugar na maratona. Kelley correu a 50a edição da Maratona de Boston em 1981. O evento também foi a sua 108ª participação em maratonas.

Em 1993, Kelley ganhou uma estátua que foi posicionada no percurso da Maratona de Boston. Foi chamado de “O Corredor do Século” pela Revista Runners em 2000. Além de corredor, Kelley também foi pintor, chegando a produzir 20 telas por ano. Seu trabalho mais famoso foi o “The Boston Dream”, que mostra detalhes do percurso da maratona de Boston.

 

John Edward Lovelock

(Crushington, 5 de janeiro de 1910 — Nova York, 28 de dezembro de 1949)

 

Jack Lovelock, como era conhecido, foi um atleta e corredor neozelandês de meio-fundo, campeão olímpico dos 1500 m em Berlim no ano de 1936.

Desde a infância era considerado eclético, participando de competições de rugby, atletismo, box e natação. Em 1929, começando a cursar medicina na Universidade de Otago, fez parte da equipe de revezamento da faculdade na corrida de milha, durante o campeonato universitário neozelandês. Em 1932, já recordista do Império Britânico nesta prova, ele competiu nos 1500 m dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, ficando na sétima colocação.

Jack Lovelock

Jack Lovelock

Em 1933, Lovelock quebrou o recorde mundial da milha (4m07s6) correndo na Universidade de Princeton contra o campeão local. No mesmo ano, representou a Nova Zelândia na Universíade, em Turim, Itália, onde renovou sua rivalidade com o italiano Luigi Beccali, campeão olímpico da prova em Los Angeles 1932. Beccali derrotou Lovelock novamente em Turim e igualou o recorde mundial dos 1500 m. Os dois iriam se encontrar novamente em Jogos Olímpicos, em Berlim 1936. Em 1934, ele ganhou a medalha de ouro na milha dos Jogos da Commonwealth.

O auge de sua carreira aconteceu durante os Jogos Olímpicos de Berlim, sediados pela Alemanha Nazista de Adolf Hitler. Ele tinha analisado sua derrota em 1932 e feito um novo plano tático. A corrida é lembrada como uma das melhores finais de 1500 m olímpicos e reuniu alguns dos maiores corredores desta distância na história. A final foi o ápice da grande era das corridas de milha entre 1932 e 1936, durante o qual os recordes mundiais da milha e dos 1500 m eram quebrados constantemente. Além do norte-americano Glenn Cunningham, que havia quebrado o recorde de Lovelock na milha um ano antes, estavam nela o seu rival e campeão olímpico de 1932 Luigi Beccali, Sydney Wooderson, um novo talento britânico, o medalhista de prata em Los Angeles John Cornes, o campeão sueco Erik Ny e o canadense, Phil Edwards, bronze em Los Angeles 1932.

Na final, Lovelock, conhecido por todos por ser um corredor conservador durante a prova, mas de explosão na chegada, surpreendeu os adversários forçando o ritmo quando ainda faltavam 300 metros, abrindo uma vantagem considerável impossível de ser retirada ao final. Ele ganhou a medalha de ouro, a primeira no atletismo para a Nova Zelândia, e estabeleceu um novo recorde mundial, 3m47s8.2 Cunningham, segundo colocado e que também quebrou o recorde antigo, era considerado o maior corredor de milha americano de todos os tempos. Luigi Beccali ficou apenas com a medalha de bronze.

O comentarista da prova pela rádio BBC britânica foi Harold Abrahams, campeão olímpico dos 100 m em Paris 1924, imortalizado no filme Carruagens de Fogo. Lovelock morreu tragicamente em Nova York, aos 39 anos.

 

John Ngugi Kamau

(Nyahururu,10 de maio de 1962)

Compleição: Peso: 62 kg Altura: 1,78m

 

Ngugi foi um corredor queniano de longa distância. Vencedor da medalha de ouro nos 5000 m dos Jogos Olímpicos de Seul 88.

John Ngugi

John Ngugi

Tornou-se conhecido no cenário internacional como atleta de alto nível ao vencer o Campeonato Mundial de Cross-Country em 1986, por quatro anos consecutivos até 1989.

Em Seul, ele venceu os 5.000m completando a prova com uma diferença de mais de trinta metros para o segundo colocado, a maior até hoje. Este feito foi após ter forçado o ritmo da prova desde o início, que não pôde ser acompanhado pelos adversários.

Nos Jogos da Comunidade Britânica em 1990, ele tentaria a mesma tática, mas, desta vez não conseguiu seu intento, sendo derrotado na linha de chegada por 0,08s de diferença pelo australiano Andrew Loyd.

Esta foi sua última prova num grande torneio internacional. Em 1993, Ngugi se recusou a fazer um teste antidoping surpresa durante a temporada e foi suspenso por dois anos. Ele alegou que, como era membro do Exército Queniano, precisava de uma ordem oficial. Após este episódio, Ngugi se retirou definitivamente do atletismo.

 

John George Walker, Sir (John Walker)

(Papakura, 12 de janeiro de 1952)

 

Foi meio fundista campeão olímpico e recordista mundial neozelandês. Durante sua carreira no atletismo, foi sempre treinado por um diretor de escola, Arch Jelley, também um meio-fundista, cujo trabalho com corredores era caracterizado por meticulosos programas de treinamento baseados em métodos científicos e por grande comunicação pessoal com seus alunos.

John Walker

John Walker

Ficou reconhecido internacionalmente quando ficou em segundo lugar nos 1500 m dos Jogos da Commonwealth de 1974, realizados em Christchurch, Nova Zelândia. Numa das maiores provas desta distância ele e o tanzaniano Filbert Bayi quebraram o recorde mundial existente na época. Os outros competidores marcaram tempos entre os dez mais rápidos da história. Além disso, Walker conquistou a medalha de bronze nos 800 m, em 1m44s92, sua melhor marca pessoal.

Walker quebrou o recorde mundial da milha em 12 de agosto de 1975, em Gotemburgo, Suécia, sendo o primeiro atleta no mundo a correr a distância em menos de 3m50s (3m49s4). O recorde batido, 3m51s0, pertencia a Bayi, que o havia derrotado no ano anterior em Christchurch. Ao fim do ano, foi nomeado “Atleta do Ano” pela revista especializada Track and Field News. Sua marca duraria por quatro anos até ser batida por Sebastian Coe em 1979. No seguinte ele quebrou o recorde da distância não olímpica dos 2000 m (4m51s4) em Oslo, Noruega e em 1979 o dos 1500 m em pista coberta, 3m37s4.

Em 1976, em Montreal, depois de um início lento e um final arrasador, Walker conquistou a medalha de ouro olímpica nos 800 m com 3m39s17, à frente do belga Ivo Van Damme. Apesar da falta de Bayi, seu maior rival, ele justificaria seu título quebrando vários recordes nos anos posteriores.

Nos anos seguintes, Walker conquistou o título de primeiro atleta no mundo a correr cem vezes a milha em menos de 4 minutos, quando venceu mais uma dessas provas em Auckland, 1985. Diz-se que ele chegou a fazer 694 corridas de milha abaixo dos 4 minutos, perfazendo uma média de uma prova a cada 18 dias, durante os 18 anos de carreira.

Em seus últimos anos como atleta, numa carreira de duas décadas, ele passou para os 5000 m, que disputou tanto em Los Angeles 1984 quanto nos Jogos da Commonwealth de 1986, sem conseguir maiores sucessos. Ainda disputaria os Jogos da Commonwealth de 1990 nos 800 m e nos 1500 m, aos 38 anos, sem conseguir maiores resultados.

Em 1990 foi incluído no New Zealand Sports Hall of Fame e em 1996 o Comitê Olímpico Internacional lhe outorgou com a Ordem de Bronze Olímpica. Neste mesmo ano de 1996 ele anunciou publicamente sofrer de Mal de Parkinson.

Em 1 de junho de 2009 foi agraciado com a Ordem do Mérito da Nova Zelândia pela Rainha Elizabeth II, por serviços prestados ao esporte e à comunidade, passando a ter o direito de usar o título de “Sir”.

 

 Lasse Artturi Virén

(Myrskylä, 22 de Julho de 1949)

Compleição: Peso: 60 kg Altura: 1,80m

 

Atleta finlandês, vencedor de quatro medalhas de ouro olímpicas. Era oficial de polícia. Sob um regime de treino brutal em Thompson Falls, no Quenia, conquistou resultados impressionantes, como o recorde mundial das duas milhas no Verão de 1972.

Lasse Viren

Lasse Viren

Virén, com o treinador Rolf Haikkola, foi um corredor obcecado. Seus treinos eram realizados à distância. Viren não realizava trabalho de velocidade. Ao invés, preferia participar de provas. Preparava-se ao máximo para enfrentar os Jogos Olímpicos. Chegava a correr 200 km por semana nas florestas finlandesas. Todas as oportunidades eram consideradas de treino, mesmo os campeonatos europeus de atletismo.

Nos Jogos Olímpicos de 1972, Virén ganhou nas provas dos 5.000 e 10.000 metros.  Em sua primeira aparição na pista ele estarreceu o atletismo mundial ao completar a prova de 10.000 m com os 800m finais em impressionantes 1’56″4. Sua vitória por 27’38″4 quebrou o recorde mundial do aparentemente imbatível Ron Clark – mesmo depois de uma colisão e queda na prova.

Nos Jogos de 1976 Virén tornou-se o único homem a ganhar duas medalhas de ouro nos 5.000 metros (com um tempo fabuloso na passagem dos 1.500 m, que lhe daria o quarto lugar). Ganhou os 10.000 ultrapassando Carlos Lopes e, em apenas 18 horas depois da final dos 5.000 m, ainda correu a maratona, em que terminou em quinto lugar, com 2h13m11s. Terminou a sua carreira nos Jogos de 1980, ficando em quinto lugar nos 10.000 metros.

Alto e barbado, a história de Virén não foi somente de sucessos. Em 1976 em Montreal, ele chegou a tirar as sapatilhas e acená-las para o público, mostrando a logomarca do fabricante, o que era proibido pelo COI. Além disso, pairou sobre ele dúvidas sobre o uso de doping, que nunca chegaram a ser confirmados. Um deles era a prática, de auto-transfusão sanguínea, que envolvia o congelamento do sangue e a sua reinserção no corpo para aumentar o oxigénio.

 

 Mary Slaney (Mary Teresa Decker / Mary Decker)

(Bunnvale, 4 de agosto de 1958)

Compleição:  Altura 1,52 m

 

Ex-fundista dos Estados Unidos. Campeã mundial em Helsinque 1983 nas provas de 1500 m e 3000 m. Deteve 17 recordes mundiais oficiais ou não em sua carreira. Venceu a prova dos 1500m nos Jogos Pan-americanos de San Juan 1979.

Mary Decker

Mary Decker

Mary Decker era favorita em suas provas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984. Nos 3000m colidiu com a rival sul-africana Zola Budd e desabou no gramado. Não conseguiu se reerguer, nem disputar posteriormente os 1500m. Participou ainda dos Jogos de Seul 1988 sendo a porta-bandeira da delegação americana na abertura. Nas provas, porém, não obteve êxito. Não se classificou para Barcelona 1992

Conseguiu classificar-se para Jogos de Atlanta 1996 nos 5000m, mas se envolveu em uma polêmica sobre doping. A coleta de urina apresentou altas taxas de testosterona. Seus advogados argumentaram que a razão de testosterona encontrada seria duvidosa para mulheres, especialmente para aquelas com mais de trinta anos, ou que faziam uso de pílulas contraceptivos. Na pista, Mary não passaria das provas qualificatórias.

Em junho de 1997, foi banida das competições pela IAAF, mas a USATF – Federação de Atletismo Americana, a reintegrou. A IAAF levou o caso a arbitragem. Em abril de 1999 houve  nova derrota para Decker que ainda perderia a prova nos 1500m no Campeonato Mundial de Atletismo em Pista Coberta de 1997.

Desde 1985 está casada com Richard Slaney, ex-arremassador de disco, com quem teve uma filha e que lhe acudiu quando caiu em Los Angeles.

 

 Mike Powell

(Filadélfia, 10 de novembro de 1963)

Compleição: Peso: 77 kg Altura: 1,88m

 

Ex-atleta norte-americano e recordista mundial no salto em distância. Mike Powel não foi um atleta brilhante, mas é conhecido até hoje como o “homem que bateu o recorde”.

Mike Powel

Mike Powel

No ano de 1991, durante o campeonato mundial de Tóquio, ele protagonizou uma prova lendária contra Carl Lewis, que ganhou e ainda bateu o recorde mundia do atleta Bob Beamon de 8,90 metros, que vigorava há 23 anos, atingindo a marca de 8.95 metros no salto em distância.

Naquele ano, Lewis, invicto há 65 competições de salto em distância, executou a melhor sequência de saltos da história, ultrapassando três vezes os 8,84m e superando a marca de Beamon com um salto com o vento a favor. Ainda assim, Powell, derrotado nos 15 primeiros confrontos com Lewis, realizou um salto monstruoso de 8,95m.

Ele também possui o salto mais longo já realizado da História, 8,99 m, que só não é recorde mundial por ter sido obtido com vento acima de 2,0m/s (no caso, a marca foi obtida com vento de +4.4). O feito foi realiazdo na altitude, em Sestriere, Itália, em 1992.

 

 

Mohamed Boughéra El Quafi

(15/10/1898 – 18/10/1959)

 

Mohamed Boughéra

Mohamed Boughéra

É considerado como o primeiro africano a ganhar uma medalha de ouro olímpica. É que em 1928 ele atuou como atleta francês, durante as Olimpíadas de Amsterdam, quando a Algéria ainda fazia parte do território francês.

Ele se qualificou para a maratona olímpica durante uma prova em que chegou em sétimo lugar.  Em 1928, durante a maratona de Amsterdam, ele correu atrás dos líderes, até os cinco quilômetros finais, quando assumiu a liderança e venceu com 26 segundos de vantagens para o segundo colocado.

Após sua vitória, ele esteve nos EUA e ganhou algum dinheiro. Retirou-se das competições e posteriormente abriu um Café em Paris.

Ficou no anonimato até 1956, quando outro algeriano também ganhou a maratona olímpica. Foi assassinado três dias após o seu aniversário de 60 anos, por membros da Frente de Libertação Nacional, a quem se recusou a dar apoio.

 

 

Mohammed Tlili ben Abdallah (Mohammed Gammoudi)

(Sidi Ach, 11 de fevereiro de 1938)

 

Mohammed Gammoudi é um ex-atleta da Tunísia, campeão olímpico dos 5000 metros na Cidade do México 1968. Foi um dos pioneiros da revolução causada pelos grandes corredores de longa distância vindos da África, que mudaram a face do atletismo na segunda metade do século XX.

Gammoudi chamou a atenção do mundo quando participou dos Jogos do Mediterrâneo de 1963, em Nápoles, Itália, vencendo os 5.000 m e os 10.000 m. Apesar desses resultados, ele chegou ao Japão no ano seguinte para disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio como um virtual desconhecido.

Gammoudi

Gammoudi

O favorito era Ron Clarke, da Austrália, que puxou um ritmo forte durante toda a prova. Faltando uma volta, Clarke havia se livrado de todos os adversários, menos de Gammoudi e do norte-americano Billy Mills. Na reta de chegada, Gammoudi e Clarke lutavam pela liderança, até Gammoudi assumir a frente a 50 m do final, quando foi ultrapassado por fora por Mills, que conquistou a única medalha de ouro dos Estados Unidos nesta prova até hoje, deixando o tunisino com a prata. Dois dias depois, Gammoudi venceu a sua eliminatória dos 5000 m, mas, por razões nunca explicadas, não apareceu para disputar a final.

Em 1968, ele chegou como favorito durante as Olimpíadas do México. Desta vez, ele compareceu à final dos 5.000 m. Na prova, ele e os atletas quenianos Temu, campeão dos 10.000 m dois dias antes e Kip Keino, disputaram a ponta até a reta final, mas foi o tunisino quem desta vez levou melhor, cruzando a fita de chegada à frente e conquistando a primeira e até hoje única medalha de ouro da Túnisia no atletismo em Jogos Olímpicos.

Em 1972, durante as Olimpíadas de Munique, apesar da forte concorrência nas duas provas de fundo, o tusinino era bastante cotado para nova medalha de ouro.

Na disputa dos 10.000 m, ele e o finlandês Lasse Viren chocaram-se e caíram ao chão, com metade da distância percorrida. Viren conseguiu levantar-se e voltar ao grupo – e ganharia a prova com recorde mundial – Gammoudi completou apenas mais uma volta e abandonou a corrida.

Nos 5.000 m, nova disputa com Viren. Desta vez, a prova foi iniciada em ritmo mais lento, Gammoudi correu ate os 3000 m junto ao pelotão líder, com mais de dez corredores. Quatro corredores dispararam para a arrancada final, entre eles Viren, Gammoudi e Steve Prefontaine dos Estados Unidos, com o finlandês superando o tunisino a dez metros da linha de chegada e deixando Gammoudi com a prata, na última grande competição do corredor norte-africano.

 

Paavo Johannes Nurmi (Paavo Nurmi)

(Turku, 13 de junho de 1897 — Helsinque, 2 de outubro de 1973)

 Compleição: Peso: 65 kg Altura: 1,74m

 

Corredor finlandês e um dos maiores atletas de todos os tempos. Em 2012, foi imortalizado no Hall da Fama do atletismo, criado no mesmo ano como parte das celebrações pelo centenário da IAAF.

Paavo Nurmi

Paavo Nurmi

Vegetariano desde os 12 anos de idade, Nurmi, também conhecido como Homem Relógio por sua mania de correr com um relógio na mão controlando seu ritmo. Ele fazia parte dos chamados Finlandeses Voadores, termo com que ele e seus compatriotas Hannes Kolehmainen, Ville Ritola e outros, eram designados nos anos 20, pelas suas conquistas no atletismo, quando dominaram todas as provas de meio-fundo e de longa distância nos Jogos Olímpicos e torneios de atletismo da época .

Nurmi foi o maior corredor de meia e longa distância do mundo, quebrando diversos recordes mundiais entre os 1500 m e os 20 quilômetros. Conquistou nove medalhas de ouro em Jogos Olímpicos, o que o coloca – ao lado dos americanos Carl Lewis e Mark Spitz e da russa Larissa Latynina – como um dos maiores ganhadores de medalhas de ouro olímpicas da história dos Jogos.

Depois de participar com brilhantismo dos Jogos de Antuérpia 1920, Paris 1924 e Amsterdã 1928, Nurmi tentou, aos 35 anos, encerrar sua carreira nos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 1932, mas por não ser considerado um atleta amador, por receber reembolso de despesas e viagem, numa época de rigor absoluto e conservador sobre os conceitos do amadorismo dos diretores do COI, ele foi impedido de participar e obrigado a assistir os Jogos da arquibancada.

Herói nacional da Finlândia, Nurmi causou um dos momentos mais emocionantes das Olimpíadas de Helsinque, na sua pátria, em 1952, ao entrar no estádio carregando a tocha olímpica. Quando morreu em Helsinque, aos 76 anos de idade, teve um enterro com honras de Estado. Foi recordista mundial dos 1500 metros entre 1924 e 1926; da Milha entre 1923 e 1931; dos 3000 metros entre 1922 e 1925 e entre 1926 e 1932; e dos 10000 metros entre 1921 e 1937 (exceto entre maio e agosto de 1924).

 

Paula Jane Radcliffe

(Northwich, 17 de dezembro de 1973)

Compleição: Peso: 54 kg Altura: 1,73 m

 

Corredora britânica de longa-distância. Atual campeã mundial e recordista mundial da maratona feminina e o maior nome internacional britânico nos esportes. Seu talento para o atletismo foi mostrado desde a infância. Começou a carreira como corredora de Cross-country, da qual foi campeã mundial junior em 1992.

Paula Radcliffe

Paula Radcliffe

Após uma carreira bem sucedida nas provas de fundo durante os anos 90, Paula passou a se dedicar às maratonas, conseguindo a vitória em sua prova de estréia em Londres 2002, e quebrando o recorde mundial da distância em Chicago seis meses depois, em 2:17.18, abaixando a marca anterior em mais de um minuto em meio. Em abril do ano seguinte, quebrou novamente o próprio recorde, vencendo a Maratona de Londres em 2:15.25, um tempo que a crítica especializada não esperava ser possível de alcançar antes da próxima década.

Venceu seis das sete maratonas que disputou. Possui cinco dos melhores tempos do mundo para a distância. Paula se tornou conhecida internacionalmente pela audiência exatamente pela única maratona que perdeu, de maneira dramática. Favorita destacada nas Olimpíadas de Atenas em 2004.

Paula desistiu da corrida nos últimos quilômetros, devido à pressão da mídia inglesa pela medalha e a uma contusão na perna direita mal curada com anti-inflamatórios às vésperas dos Jogos Olímpicos. Devastada emocionalmente, sentou-se na calçada ao lado do percurso em imagens que percorreram o planeta. Paula ainda competiria nos 10.000m mas sua contusão e condições emocionais a fariam desistir novamente desta prova.

Recuperada, Paula voltaria a ser imbatível após as Olimpíadas vencendo três maratonas em seguida, conquistando a medalha de ouro da maratona no Campeonato Mundial de Atletismo em Helsinque, Finlândia, em agosto de 2005. Entre outros títulos, além da maratona, Paula Radcliffe também é recordista mundial dos 10 km em rua, meia-maratona e bicampeã mundial de cross-country.

Paula protagonizou um dos mais pitorescos momentos do esporte, acontecido em abril de 2005 na Maratona de Londres (que ela venceu) ao parar para urinar no meio da rua na frente da multidão e das câmaras que transmitiam a prova ao vivo, no que foi considerado pelos britânicos “O Maior Momento da História da Maratona“. Ela é tricampeã da Maratona de Nova York tendo conquista os títulos de 2004, 2007 e 2008.

 

Pierre de Frédy (Pierre de Coubertin)

(Paris, 1 de janeiro de 1863 — Genebra, 2 de setembro de 1937)

 

Ficou mais conhecido pelo seu título nobiliárquico de Barão de Coubertin. Ele não chegou a ser um atleta. Foi um pedagogo e historiador francês, mas entrou para a história como o fundador dos Jogos Olímpicos da era moderna.

Pierre de Coubertin

Pierre de Coubertin

Pierre de Coubertin foi inspirado pelas suas visitas a colégios ingleses e americanos, propondo-se a melhorar os sistemas de educação na França. A ideia de reviver os Jogos Olímpicos surgiu após ter idealizado uma competição internacional para promover o atletismo. Ele também se aproveitou de um crescente interesse internacional nos Jogos da antiguidade, depois que descobertas arqueológicas nas ruínas de Olímpia, começaram a vir à tona.

Sua preocupação surgiu da péssima condição física demonstrada por seus compatriotas na Guerra Franco-Prussiana. Ele queria que a França alargasse a sua base educativa, incluido o corpo, a mente e os seus estudos sobre a Grécia Antiga.

Ele organizou um congresso internacional em 23 de Junho de 1894 na Sorbonne em Paris, onde propôs que fosse reinstituída a tradição de realizar um evento desportivo internacional periódico, inspirado no que se fazia na Grécia antiga.

A partir deste congresso surgiu o Comite Olímpico Internacional, do qual o barão de Coubertin foi secretário geral. Decidiu-se também que os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna seriam em Atenas, na Grécia. Como na antiguidade, seriam realizados a cada quatro anos (uma Olimpíada).

Coubertin foi Presidente do COI desde 1896. Cargo que abandonou após os Jogos Olímpicos de Verão de 1924, realizados em Paris, a sua cidade natal, e com um sucesso maior que a anterior edição de 1900. Sucedeu-o no cargo Henri de Baillet-Latour.

Coubertin manteve-se como Presidente Honorário do COI até à sua morte em 1937, em Genebra na Suíça. Foi enterrado em Lausanne (local da sede do COI), mas o seu coração está sepultado separadamente, num monumento perto das ruínas da antiga Olímpia.

 

Rodolfo Gómez Orozco (Rodolfo Gómez)

(30 de outubro de 1950, Cidade do México)

Compleição: Altura: 1.73 m Peso: 57 kg

 

Rodolfo Gomez

Rodolfo Gomez

Rodolfo Gomez foi  um corredor de longa distância que representou o México entre os anos de 1970 a 1980.

Ele venceu a Maratona de Tóquio em 1981, a Maratona Dourada da IAAF de Atenas, a Maratona de Roterdam  e a Maratona do Óregon em 1982 e a Maratona de Pittsburgh e a Maratona da Cidade do México em 1987.

Rodolfo Gomez se tornou conhecido pelo público americano em 1982, quando ele estabeleceu seu recorde pessoal  de 2:09:33, chegando apenas com quatro segundos atrás de Alberto Salazar que venceu a mesma prova com o tempo de 2:09:29. Uma prova com uma final inesquecível.

Gomez representou o México consecutivamente em dois Jogos Olímpicos de Verão, a partir de 1976. Depois, se tornou técnico de atletismo, treinando atletas como Andres Espinosa, German Silva, Benjamin Paredes, Adriana Fernandez, Isaac Garcia, Martin Pitayo e Isidro Rico.

 

Robert Bruce Mathias (Bob Mathias)

(17 de novembro de 1930 à 02 de setembro de 2006)

 

Bob Mathias, como era conhecido, foi atleta Americano do time de decatlo, duas vezes medalhista de ouro olímpico, foi Oficial da Marinha Americana, tendo também exercido a carreira de político, como congressista pelo Estado da Califórnia.

Bob Mathias

Bob Mathias

Mathias entrou para a história como o mais jovem medalhista de ouro olímpico, quando, aos 17 anos de idade, venceu o decatlo na Olimpíada de Wembley, em 1948.

Mathias estabeleceu seu primeiro recorde mundial em decatlo em 1950. Em Helsinki, Mathias se firmou como um dos melhores atletas mundiais, tendo retornado aos EUA, em 1952 como herói nacional. Em seguida ele se retirou das competições esportivas.

Após ter se graduado, em 1953, Mathias ficou por dois anos e meio na Marinha americana. Posteriormente, ele ocupou o cargo de diretor do Centro de Treinamento Olímpico americano entre 1977 a 1983.

Mathias ainda teve passagens como ator, fazendo uma série de TV e estrelando um filme em Hollywood sobre a sua vida. Mais tarde, ganhou uma cadeira no Congresso, foi reeleito, mas derrotado em 1974.

Faleceu em 2006, após ter sido diagnosticado com câncer em 1996.

 

Roger Gilbert Bannister, Sir

(23 de Março de 1929 Harrow, Inglaterra)

Compleição: Altura: 1,87 m Peso: 70 kg

 

Nasceu em Londres no dia 23 de março de 1929. Como atleta, era especialista em provas de médio fundo. Ficou conhecido internacionalmente por ter sido o primeiro homem da história capza de correr uma milha, ou 1.609 metros, em menos de 4 minuots. Antes da carreira esportiva, trabalhou como neurologista, tendo se aposentado em 2001.

Roger Bannister

Roger Bannister

Filho de familia abastada, conseguiu conciliar a medicina com o atletismo. Em 1950 ganhou uma medalha de bronze nos 800 metros durante o campeonato europeu, disputado em Bruxelas. Participou dos Jogos Olimpicos de Helsinque em 1952, ficando em 4º lugar nos 1.500 metros com 3:46,0.

Sua façanha mais importante, que passou a ser conhecida como “um milagre”, foi conquistada em 06 de maio de 1954 em uma competição que se deu nas pistas de Iffey Road em Oxford. Havia mais de 3000 expectadores, quando Bannister venceu o percurso de 1 milha, com o tempo de 3:59,4, sendo o primeiro homem da história  a correr uma milha abaixo de 4 minutos.

A corrida foi transmitida por toda a cadeia de rádio pela BBC e comentada por Harold Abrahams, um antigo campeão olímpico dos 100 metros.

46 dias depois, o recordé de Bannister foi batido em Turku, na Finlandia, pelo australiando John Landy, que fez uma milha em 3:58,0. Isto gerou uma expectativa no mundo esportivo que gostaria de ver Bannister e Landy disputando uma mesma prova, num confronto direto, o que ocorreu em 7 de agosto deste mesmo ano em Vancouver durante os Jogos da Commonwealth. Landy dominou boa até a terceira volta. No final, Bannister foi mais forte e acabou ganhando com um tempo de 3:58,8. Landy ficou em segundo com 3:59,6.

Poucas semanas depois, Bannister ganhou a medalha de ouro nos 1.500 metros no campeonato europeu realizado em Berna com a marca de 3:43,8. Em seguida, ele se aposentou do esporte e seguiu sua carreira como neurologista. Bannister recebeu  muitos títulos, dentre os quais, o título de “Sir”.

 

Rosa Maria Correia dos Santos Mota (Rosa Mota)

(Porto, 29 de Junho de 1958)

Compleição: Peso: 45 kg Altura: 1,57 m

 

A atleta portuguesa Rosa Mota nasceu em Porto, no dia 29 de Junho de 1958. Foi campeã olímpica e mundial da maratona. Tornou-se conhecida pelas suas participações nesta distância, sendo considerada por muitos como uma das melhores maratonistas do século XX. Foi vencedora da Medalha Olímpica Nobre Guedes em 1981. Começou a correr em 1974, ainda no Liceu.

Rosa Mota

Rosa Mota

Em 1980 conheceu José Pedrosa, seu treinador por toda a sua carreira. A primeira maratona feminina foi realizada em Atenas na Grécia durante o Campeonato Europeu de Atletismo em 1982. Foi também a primeira em que Rosa Mota participou e ganhou.  

Rosa sempre terminava suas provas bem classificada. Na primeira maratona olímpica, realizada em Los Angeles em 1984, ela ganhou a medalha de bronze. O seu recorde pessoal da distância foi obtido em 1985 na maratona de Chicago com o tempo de 2:23:29.

Em 1986 foi campeã na Europa e, em 1987 campeã mundial em Roma. Em 1988 ganhou o ouro olímpico em Seul com treze segundos de vantagem sobre a segunda colocada. Até 2005, a conquista de três títulos consecutivos em campeonatos europeus de maratona, tanto feminino como masculino, é exclusivo de Rosa Mota.

Apesar do sucesso, Rosa sofria com uma dor ciática, o que não a impediu de continuar a correr, como fez em 1991, durante a Maratona de Londres. Em 1992 ela não conseguiu terminar a Maratona de Londres e decidiu se retirar do atletismo.

Em 2004, ela promoveu a maior corrida feminina em Portugal, com um pelotão formado por cerca de dez mil mulheres ajudando a arrecadar fundos para combater o câncer da mama. Rosa Mota disputou 21 maratonas entre 1982 e 1992, numa média de duas maratonas por ano. Ganhou 14 delas.

Recordes Pessoais:

800 metros: 2.10,76 (Lisboa – 1985)

1500 metros: 4.19,53 (Vigo – 1983)

5000 metros: 15.22,97 (Oslo – 1985)

10000 metros: 32.33,51 (Oslo – 1985)

Maratona: 2.23.29 (Chicago – 1985) (Recorde nacional)

 

Said Aouita

(Kénitra, 2 de novembro de 1959)

Compleição: Altura: 1,76 m Peso: 65 kg

 

Saïd Aouita é um ex-atleta marroquino, especialista em provas de meio fundo. No ano de 1985, Aouita conseguiu bater os recordes mundiais das provas de 1500 metros e 5000 metros, no espaço de apenas um mês.

Said Auita

Said Auita

Tornou-se conhecido já na sua primeira grande competição: os Campeonatos do Mundo de Helsínque em 1983. Numa prova de 1500 metros muito tática, à qual ele não estava acostumado, deixou-se fechar e não teve oportunidade de fazer melhor que o terceiro lugar. Após esta primeira experiência, decidiu correr os 5000 metros nos Jogos Olímpicos de 1984, em Los Angeles. Desta vez, foi ele quem impôs a tática correu para a vitória. 

A época seguinte seria uma das suas mais gloriosas. Em 1985 Auita quebrou dois recordes mundiais: primeiro o de 5000 metros (13’00″40) e depois o de 1500 metros (3’29″46). Em 1986 ele ganhou o Grande Prémio IAAF pela primeira vez. No ano seguinte, quebrou outro recorde na prova de 2000 metros. Seis dias depois batia o seu próprio recorde mundial de 5000 metros (12’58″39), tornando-se o primeiro homem a correr a distância em menos de 13 minutos.

Em 1987, no campeonato mundial de Roma, Aouita inscreveu-se nas provas de 800, 1500, 5000 e 10000 metros (talvez para confundir os seus potenciais adversários). Decidiu correr apenas os 5000 metros. Após uma corrida lenta, puxada pelo queniano John Ngugi, Aouita, arrancou a uma volta do fim e chegou isolado à meta com o tempo final de 13’26″44.

Não somente ele foi condecorado pelo Rei Hassan, como o trem expresso entre Rabat e Casablanca, foi apelidado de “O Aouita”.

 

Sebastian Newbold Coe, Sir (Sebastian Coe)

(Londres, 29 de setembro de 1956)

Compleição: Altura: 1,75 m Peso: 54 kg

 

Ex-atleta britânico de alto nível. Sebastian Coe foi recordista mundial dos 800 metros entre 1979 e 1997, dos 1500 metros entre 1979 e 1980, e da Milha entre 1981 e 1985.

Sebastian Coe

Sebastian Coe

Barão Coe, recebeu a Ordem do Império Britânico. Na carreira de atletismo disputou as provas de meio-fundo como os 800m e 1500m. Venceu a prova dos 1500m nas Olimpíadas de Moscou 1980 e de Los Angeles 1984.

Estabeleceu ao longo da sua carreira 11 recordes mundiais, sendo 8 outdoor e 3 indoor. Depois de se retirar do atletismo, Coe ingressou no Partido Conservador e foi membro do Parlamento do Reino Unido de 1992 até 1997, se tornou membro vitalício em 2000.

Ele estava a frente do comitê das Olimpíadas de Londres 2012 e após o anúncio oficial do Comitê Olímpico Internacional, tornou-se Presidente do Comitê Organizador dos Jogos de Londres 2012.

Em 2007, Lord Coe foi eleito vice-presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo.

 

Serguei Nazarovitch Bubka (Serguei Bubka)

(Lugansk, 4 de dezembro de 1963)

Compleição: Altura: 1,83 m Peso: 80 kg

 

Foi um atleta ucraniano especializado em salto com vara. É considerado por muitos como o maior saltador de todos os tempos, cujos destaques na carreira são as seis vitórias consecutivas no Campeonato Mundial de Atletismo a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1988 e a quebra de 35 recordes mundiais de salto com vara (17 ao ar livre e 18 em ambientes fechados).

Serguei Bubka em ação.

Serguei Bubka em ação.

Destacou-se nas competições locais já aos 11 anos de idade, com um salto de 2,70 metros. Aos dezesseis superava os cinco metros. Em 1981 saiu do anonimato internacional quando foi o sétimo do Campeonato Europeu Júnior. Seu potencial causava admiração. Apesar de ter sido classificado como oitavo no campeonato nacional, o treinador da equipe soviética, Igor Ter-Ovanessian, incluiu-o na seleção que participaria no primeiro Campeonato Mundial de Atletismo, em Helsinki, em 1983.

Lá saltou para a fama. Com uma altura de 5,70 m, conseguiu o campeonato mundial na primeira edição dessas competições. A partir daí se empenhou para mostrar que seu título não tinha sido conseguido por acaso. Melhorou ano após ano. Em 1984 conseguiu seus primeiros recordes mundiais. O primeiro em competições em ambientes fechados estabelecendo uma marca de 5,81 metros, que quebrou posteriormente em três ocasiões. Logo, ao ar livre, marcou outro com 5,85 m, que ele mesmo superou quatro vezes. Naquele ano bateu nove recordes mundiais, no total.

Tudo teria sido perfeito se o bloco comunista não houvesse boicotado os Jogos Olímpicos de Los Angeles. Provavelmente, essa teria sido sua primeira medalha olímpica. Mas ele soube esperar e quatro anos depois, em Seul, a ganhou. Sucederam-se os campeonatos mundiais. Até ao de Sevilha, ganhou todos: Roma 87, Tóquio 91, Stutgart 93, Gotemburgo 95 e Atenas 97.

Ele chegou a perder e a recuperar seus recordes várias vezes. Nem ele mesmo conseguiu bater o seu recorde de 6,15 m em local fechado, conquistado em 21 de fevereiro de 1993. Se aproximou, com outro recorde mundial, num salto de 6,14 m ao ar livre em 31 de julho de 1994. Ambos seguem valendo e parecem difíceis de serem batidos. O melhor saltador do momento, o russo Maksim Tarasov, tem a marca de 6,05 m.

Alguns feitos da carreira de Sergei Bubka:

1983 – Ganha o Mundial de Helsinki aos 19 anos;

1984 – Quebra o recorde mundial pela primeira vez, saltando 5,85 m;

1985 – Torna-se o primeiro homem a ultrapassar a marca dos 6 m;

1988 – Conquista a sua única medalha olímpica, ouro em Seul;

1994 – Quebra pela 35ª vez o recorde mundial, saltando 6,14 m;

1995 – Quebra o recorde mundial indoor, saltando 6,15 m;

2001 – Abandona o atletismo aos 37 anos;

 

Shirley Barbara Strickland-de la Hunty (Shirley Strickland)

(Perth, 18 de julho de 1925 – 11 de fevereiro de 2004)

Compleição: Altura: 1,72 m Peso: 51 kg

 

Shirley Strickland foi uma atleta australiana várias vezes campeã olímpica e a maior colecionadora de medalhas conquistadas em Jogos Olímpicos da história da Austrália.

Shirley Strickland

Shirley Strickland

Filha de atleta, não pôde competir nos Jogos Olímpicos de 1900 por falta de recursos. Teve uma educação básica feita por correspondência. Quando entrou na escola secundária, em 1939, venceu 47 das 49 competições atléticas de que participou. Na universidade, viria a ganhar grande reputação como velocista.

Depois de abandonar as pistas, Shirley continuou envolvida com o atletismo, na área de administração do comitê australiano, durante os jogos da Cidade do México 1968 e Montreal 1976. Ela foi também uma das condutoras da tocha olímpica nos Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, carregando a tocha aos 75 anos de idade sob a ovação do público.

Em 2001, ela decidiu vender todas as recordações e prêmios da sua carreira, como forma de arrecadar dinheiro para cuidar da educação de seus netos e para doar aos grupos ambientais que cuidam da proteção às florestas australianas.

Suas medalhas, troféus e memorabilia foram comprados por um grupo de empresários anônimos, que os doaram a um museu de Melbourne, atendendo a seu desejo de que elas nunca deixassem o país.

Shirley teve um funeral de estado. Meses depois de sua morte, uma estátua de bronze em sua homenagem foi colocada na entrada do Melbourne Cricket Ground.

Spirídon Louis

(Marousi, 12 de janeiro de 1873 — Atenas, 26 de março de 1940)

Corredor de longa distância e campeão olímpico grego. O primeiro homem a vencer uma maratona olímpica, nos I Jogos Olímpicos da Era Moderna, em Atenas 1896.

Spiridon Louis utilizando um traje típico.

Spiridon Louis utilizando um traje típico.

Seu pai era um vendedor de água mineral na capital, na época sem uma central de abastecimento de água, e Spiridon o ajudava carregando água, além de pastorear ovelhas nos campos. Após sua vitória, tornou-se um herói nacional grego até os dias de hoje. O complexo esportivo onde se localiza o estádio olímpico de Atenas, local dos Jogos Olímpicos de 2004, é batizado em sua homenagem.

Em 1894, após a decisão de se reviverem os antigos Jogos Olímpicos, ideia de Pierre de Frédy, o Barão de Coubertin, as preparações foram feitas para que eles se realizassem em seu país de origem, a Grécia. Uma das provas escolhidas para o atletismo seria a maratona, que nunca tinha sido disputada antes. Os gregos ficaram bastante entusiasmados com esse novo evento, e decidiram realizar corridas de qualificação para os pretendentes a representar a Grécia nela.

A primeira corrida de seleção – e a primeira maratona da história – aconteceu em 22 de março e foi vencida por Charilaos Vasilakos em 3 horas e 18 minutos. Louis participou da segunda corrida classificatória, duas semanas depois, convencido pelo coronel, que conhecia suas habilidades de corredor desde o exército.

Spiridon Louis com o Fuher, entregando um ramo de oliveira.

Spiridon Louis com o Fuher, entregando um ramo de oliveira.

A primeira maratona olímpica teve 40 km e foi disputada por 17 atletas, 13 gregos e 4 estrangeiros. O líder inicial da prova, por 32 km do percurso de uma estrada poeirenta de terra, ao longo da qual uma multidão de gregos se postou a passagem dos corredores, foi o francês Albin Lermusiaux, que abandonou a 8 km do final.

A liderança então passou para o australiano Edwin Flack. Ele entrou em colapso poucos quilômetros depois, também abandonando a prova. Louis então assumiu a ponta.

No estádio Panathinaiko a atmosfera entre a multidão era tensa, principalmente depois que um ciclista chegou trazendo a notícia de que um australiano estava liderando. Mas assim que o grego assumiu a ponta, a polícia enviou outro mensageiro anunciando as boas novas.

Quando Spiridon Louis finalmente entrou no estádio sob os gritos de milhares de gregos, dois príncipes – Constantino e George – o acompanharam correndo a última volta na pista, servindo-lhe vinho, água, leite, cerveja, suco de laranja e até pedaços de um ovo de páscoa.5 Louis cruzou a faixa a linha de chegada em 2h58m50s, estabelecendo a primeira marca mundial para a maratona.

Para completar a festa, Vasilakos, o vencedor da primeira seletiva, chegou em segundo lugar e outro grego, Spyridon Belokas, em terceiro. Com a descoberta posterior de que Belokas havia feito parte do caminho de carona, ele foi desclassificado e a medalha de bronze entregue ao húngaro Gyula Kellner.

Spiridon Louis fez sua última aparição pública em 1936, nos Jogos Olímpicos de Berlim, aos 63 anos, como convidado de honra. Depois de carregar a bandeira da Grécia no desfile das delegações, ele foi recebido por Adolf Hitler, com quem tirou uma foto entregando um ramo de oliveiras, trazida de Olímpia, o berço das Olimpíadas, como símbolo da paz.

Ele morreu menos de quatro anos depois, em março de 1940, treze meses antes da invasão da Grécia pelos nazistas. Seu nome hoje é usado em inúmeros clubes desportivos do país e fora dele, principalmente o complexo olímpico de Atenas, onde os Jogos Olímpicos de 2004 foram realizados, o próprio estádio olímpico – onde a medalha ganha por ele em 1896 encontra-se guardada.

 

Steve Roland Prefontaine

(Coos Bay, 25 de janeiro de 1951 – Eugene, 30 de maio de 1975)

Compleição: Peso: 63 kg Altura: 1,75m

 

Steve Prefontaine

Steve Prefontaine

Prefontaine foi corredor olímpico norte-americano de média e longa distância. Inspirou outros corredores na década de 1970 como Frank Shorter e Bill Rodgers. Prefontaine foi principalmente um corredor de longa distância que se tornou recordista americano em cinco eventos, dos 2000 m aos 10000 m.

Todos o respeitavam. Aqueles que o viram correr, que o conheciam e que foram seus adversários nas pistas. Ele revolucionou o esporte com sua competitividade feroz e sua habilidade de incendiar as multidões, como um cantor de rock.

Durante toda a carreira, permaneceu invicto em sua especialidade e conseguiu manter os sete recordes americanos para corrida entre 2.000 e 10.000 metros.

Correu uma das mais brilhantes provas da história nas Olimpíadas de Monique de 1972, e era o grande favorito para os Jogos de Montreal, quatro anos mais tarde. Aos 24 anos de idade, Prefontaine já era uma lenda das pistas de corrida. Hoje, ele é um mito no mundo do esporte. Morreu aos 24 anos em um acidente de automóvel.

Na cidade de Eugene, realiza-se todos os anos, em sua honra, um meeting de atletismo designado Prefontaine Classic. Sua história foi contada em dois filmes: Prefontaine (1997) e Without Limits (1998).

 

Toshihiko Seko

(Kuwana, 14 de julho de 1956)

Compleição: Peso: 62 kg

 

Toshihico Seko

Toshihico Seko

Ex-fundista japonês e um dos maiores maratonistas de todos os tempos.

Seko venceu por quatro vezes a Maratona de Fukuoka (1978-80, 1983), duas vezes a Maratona de Boston (1981-87) e as maratonas de Londres e Chicago no mesmo ano (1986).

Em 1981 quebrou os recordes mundiais nas distâncias não olímpicas dos 25.000 m e dos 30.000 m, marcas que permaneceram como recordes por trinta anos, sendo batidas apenas em 2011 pelo queniano Moses Mosop.

Ele venceu todas as maratonas que disputou entre 1979 e 1988 à exceção, por ironia, das duas em que participou nos Jogos Olímpicos, Los Angeles 1984 e Seul 1988.

Depois de encerrar a carreira, Seko tornou-se técnico de atletismo e integrante do Conselho de Educação da Administração Metropolitana de Tóquio.

 

 

Waldemar Cierpinski

(Neugattersleben, 3 de agosto de 1950)

Compleição: Peso: 59 kg Altura: 1,70 m

 

Ex-fundista da Alemanha Oriental. Bicampeão olímpico da maratona. É um dos dois únicos atletas na história dos Jogos Olímpicos a conseguir este feito.

Nascido na antiga Alemanha Oriental, Waldemar foi originalmente um corredor dos 3.000 m com barreiras, bem sucedido em competições nacionais, que migrou para a maratona em 1974.

Waldemar Cierpinski

Waldemar Cierpinski

Em 1976, chegou em Montreal ainda desconhecido internacionalmente. Surpreendeu a todos ao conquistar a medalha de ouro na maratona, derrotando o então favorito e campeão olímpico Frank Shorter, dos Estados Unidos. Estabeleceu um novo recorde olímpico para a prova de 2h09min55s, quebrando a barreira das 2h 10min pela primeira vez em Jogos Olímpicos.

Em 1980, nos boicotados Jogos Olímpicos de Moscou, Waldemar voltou a vencer, correndo conservadoramente até os últimos quilômetros. Assumiu a liderança e disparou nos 200 m finais, já dentro da pista de atletismo, igualando-se ao lendário etíope Abebe Bikila como bicampeão olímpico da maratona.

Mesmo se destacando na corrida, ainda em 1983, ele viu sua chance de um inédito terceiro título olímpico desaparecer com o boicote da URSS e seus aliados políticos aos Jogos Olímpicos de Los Angeles de 1984.

Atualmente Waldemar vive na cidade de Halle an der Saale onde tem duas lojas de artigos esportivos e ainda participa por prazer de corridas de rua na Alemanha, sendo membro efetivo do Comitê Olímpico Alemão.

Sua carreira, porém, não passou incólume, em função da controversia sobre a prática de uso de dopping adotada pela antiga Alemanha Oriental. O americano Frank Shorter, campeão olímpico da maratona em Munique 1972 e medalha de prata em Montreal 1976, atrás de Waldemar, trava com ele, uma batalha nas cortes esportivas desde 1990 para que a vitória de seja anulada por doping e, a medalha de ouro, lhe seja entregue por direito. 

 

Wilma Glodean Rudolph

(Clarksville, 23 de junho de 1940 — Brentwood, 12 de novembro de 1994)

Compleição: Peso: 59 kg Altura: 1,80 m

 

Atleta norte-americana. Apesar de ter contraído poliomielite na infância, conquistou três medalhas de ouro como velocista nos Jogos Olímpicos de Roma em 1960. Muito bem cuidada pela mãe, aos 12 anos conseguiu andar normalmente. No princípio, Wilma perdeu quase todas as provas de que participou. Sempre era a última colocada nas competições. Aos poucos foi progredindo para as posições intermediárias. Aos quinze anos já vencia todas as corridas que disputava.

Wilma Rudolph

Wilma Rudolph

Aos dezesseis anos, qualificou-se para fazer parte da equipe feminina dos Estados Unidos no revezamento 4×100 dos Jogos Olímpicos de Melbourne, onde conseguiu uma medalha de bronze.

Seu grande momento na história das Olimpíadas e do atletismo viria em 1960, nos Jogos Olímpicos de Roma, quando, aos vinte anos de idade e oito anos depois de se livrar da poliomielite, Wilma Rudolph se consagrou como a maior velocista do planeta, ao conquistar três medalhas de ouro nos 100 m, 200 m e revezamento 4×100 metros. Sua história de vida e a luta contra a poliomielite virou a manchete principal de todos os jornais do mundo, trazendo a atenção da sociedade e dos governos para a doença e aos esforços para sua erradicação.

Nos EUA, Wilma alcançou o mesmo status de prestígio e veneração esportiva do lendário e também negro Jesse Owens no panteão dos grandes heróis olímpicos americanos. Documentários e filmes foram feitos sobre sua vida e suas conquistas e em 1961 ela foi eleita a melhor atleta amadora americana.

Após encerrar a carreira, montou a Fundação Wilma Rudolph e trabalhou com crianças carentes. Trabalhou como professora. Foi técnica de atletismo e comentarista esportiva, casando-se em 1963 e tendo quatro filhos, nenhum deles portador de poliomielite. Wilma morreu de câncer no cérebro aos 54 anos de idade, em 1994, na localidade de Brentwood, em seu estado natal. Sua memória é honrada e lembrada em todo o país e em 2004 os Correios dos Estados Unidos lançaram um selo postal com a sua efígie.

 

Willian Frederick Carlton (Carl Lewis)

(Birmingham, 1 de julho de 1961)

Compleição: Peso: 81 kg Altura: 1,91m

 

Carl Lewis

Carl Lewis

Carl Lewis, como ficou conhecido, é um ex-atleta americano que ganhou dez medalhas olímpicas, nove das quais de ouro, e dez medalhas nos campeonatos mundiais de atletismo, oito das quais de ouro, em uma carreira que se estendeu de 1979, quando ele alcançou uma posição na classificação mundial, até 1996, quando ele ganhou seu último título olímpico, quando também se retirou das pistas.

Em 2012, foi imortalizado no Hall da Fama do atletismo, criado no mesmo ano como parte das celebrações pelo centenário da IAAF.

Lewis foi um velocista que liderou o ranking mundial nos 100m e 200m metros rasos, além de salto em distância de 1981 a início de 1990. Foi nomeado Atleta do Ano pela Track and Field News, em 1982, 1983 e 1984, e estabeleceu recordes mundiais nos 100m, 4 por 100 metros, e 4 por 200 metros. Suas 65 vitórias no salto em distância, durante 10 anos consecutivos, foi também um dos maiores períodos de invencibilidade do atletismo mundial.

A imagem de frio e arrogante tem perseguido o atleta desde os Jogos de 1984. Carl Lewis foi recordista mundial dos 100 metros entre 1987 e 1994. Perdeu o recorde para Leroy Burell entre junho e agosto de 1991.

 

William Henry Rodgers (“Bill” Rodgers)

(Hartford, 23 de dezembro de 1947)

Compleição: Peso: 59 kg

 

Foi um dos maiores maratonistas do mundo nos anos 1970, quando venceu por quatro vezes a Maratona de Boston e a Maratona de Nova Iorque. Prejudicado pelo boicote dos Estados Unidos aos Jogos Olímpicos de Moscou em 1980, quando se encontrava no auge de sua forma, nunca pôde lutar por uma medalha olímpica. Esteve no Brasil no começo dos anos 80, vencendo a Maratona do Rio de Janeiro em 1981.

Bill Rodgers

Bill Rodgers

Rodgers venceu as maratonas de Boston e Nova York por quatro vezes entre os anos de 1975 e 1980. Quebro o recorde americano em Boston com a marca 2:09:55 em 1975 e 2:09:27 em 1979.

Em 1977 ele ganhou a Maratona de Fukuoka, tornando-se o único corredor que havia vencido três das maiores maratonas do mundo ao mesmo tempo.

Rodgers também foi o único Americano nato a vencer a Maratona de Nova York. Aqueles que o sucederam eram nascidos em Cuba, como Alberto Salazar e da Eritréia, como Meb Keflezighi.

Em 1975, Rodgers ganhou a medalha de Bronze no Campeonato Mundial de Cross Country da IAAF, igualando-se a Tracy Smith. O melhor ano de Rodgers no circuito de corridas de rua começou em 1978 quando ele venceu 27 das 30 corridas que participou, incluindo os 10.000 m nacionais, onde alcançou a melhor marca de 28:36.3. Além disso, ele foi o detentor do recorde nos 25 km com a marca de 1:14.11.8, alcançado em West Valley, Califórnia em 1979.

A revista Track & Field ranqueou Rodgers como o número 1 em maratonas entre os anos de 1975, 1977 e 1970. Das 59 maratonas que participou, 28 foram abaixo de 2h15min. Ao todo, ele venceu 22 maratonas em sua carreira. Ficou conhecido como “Billy de Boston”.

 

William Mervin Mills (“Billy” Mills)

(Pine Ridge, 30 de junho de 1938)

Compleição: Peso: 68 kg Altura: 1,80m

 

Foi um corredor de longa distância. Campeão olímpico dos 10.000 m nos Jogos Olímpicos de 1964, em Tóquio, e o segundo índio norte-americano, depois do decatleta Jim Thorpe, a conquistar uma medalha de ouro olímpica. Sua vitória é considerada uma das mais surpreendentes da história dos Jogos Olímpicos.

Membro da tribo Sioux Oglaga e ex-fuzileiro naval, Billy nasceu e cresceu na reserva indígena de Pine Ridge, na Dacota do Sul, ficando órfão aos doze anos. Passou a dedicar-se apenas as corridas quando fazia o curso secundário no estado de Kansas. Destacou-se como fundista nos campeonatos nacionais de atletismo do começo da década de 1960.

Billy Mills

Billy Mills

Mills se qualificou para os Jogos na equipe olímpica de atletismo dos Estados Unidos nos 10.000 m e na maratona, mas esperava-se dele apenas uma participação honrosa, com o favoritismo nos 10.000 m sendo do australiano Ron Clarke, então recordista mundial, e para os campeões olímpicos dos 10.000 e dos 5.000 nos Jogos de Roma de 1960, Pyotr Bolotnikov da União Soviética e Murray Halberg, da Nova Zelândia.

Desconhecido internacionalmente, classificado em segundo lugar na seletiva americana, Mills tinha era um minuto mais lento que Clarke, que ditou o ritmo da prova.

Sua tática de aumentar o ritmo a cada volta fez com que, na metade da corrida, apenas quatro corredores o acompanhassem, entre eles Mills. O favorito da multidão, o japonês Tsubaraya, foi o primeiro a deixar o grupo, seguido pelo etíope Mamo Wolde.

Com duas voltas para o final da prova, apenas dois corredores ainda acompanhavam o recordista mundial, Mohammed Gammoudi, da Tunísia, e Billy Mills. Para todos os espectadores que acompanhavam o evento, a prova era de Clarke.

Na última volta, Clarke e Mills corriam lado a lado com o tunisino logo atrás.  O grupo começou a ultrapassar os retardatários. Clarke forçou Mills duas vezes. O americano o acompanhou. Então Ghammoudi saiu de trás dos dois e forçou o ritmo, num sprint final, assumindo a liderança na última curva. Enquanto Clarke recuperava o ritmo e colava no tunisino, Mills permaneceu trás, parecendo estar fora da disputa pela medalha de ouro.

Nos últimos cinquenta metros, enquanto o australiano tentava ultrapassar Gammmoudi, Mills abriu por fora e ultrapassou os dois de uma vez e, venceu a prova em 28m24s, recorde olímpico e melhor tempo de sua vida. Nenhum americano havia até então vencido os 10.000 m, até hoje.

 

Zola Pieterse (Zola Budd)

(26 de maio de 1966, Bloemfontein, Estado Livre de Orange, Africa do Sul)

 

Zola Budd, como ficou conhecida, nasceu em 26 de maio de 1966 em Bloemfontein, sexta maior cidade da África do Sul. Esta atleta sul-africana foi especialista em provas de média distância.

Zola Budd em ação.

Zola Budd em ação.

Ficou conhecida em 1984, quando aos 17 anos bateu o recorde mundial nos 5.000 metros em Stellenbosch, no sul da África com a marca de 15:01,83. Detalhe, ela o fez correndo descalça, como sempre fazia também durante os treinos e em outras competições.

Entretanto, a IAAF não reconheceu o recordé batido, pois nesta época, a África do Sul estaba excluída dos organismos internacionais debido a política de segregação racial, que ficou conhecida como Apartheid.

Em 1984, durante as Olimpíadas de Los Angeles, a Africa do Sul ainda estava banida e Zola foi persuadida a correr pela Inglaterra. Ela conseguiu a cidadania britânica em tempo recordé, o que acabou criando um grande desconforto político, pois os africanos também protestaram.

Este ato foi percebido como uma espécie de símbolo silencioso da África do Sul branca. Cercada e interrogada por manifestantes anti-apartheid, condenada por seu “passaporte de conveniência”, ela venceu títulos importantes, mas era vista como uma garota perdida, quando, por ironia do destino, ela acidentalmente derrubou a americana Mary Decker na final dos 3.000m. Quando as autoridades do atletismo internacional começaram com vagas acusações a seu respeito, ela voltou para casa à beira do colapso.

Ela encontrou a paz, relançando sua carreria de forma quieta e madura como Sra. Pieterse, junto às pessoas que sempre a admiraram.

Marcas Pessoais:

1.500 metros – 3:59,96 (Bruxelas, 30 Ago 1985)

Milla – 4:17,57 (Zurich, 21 Ago 1985)

3.000 metros – 8:28,83 (Roma, 07 Sep 1985)

5.000 metros – 14:48,07 (Londres, 26 Ago 1985)